Se Deus me ama
Acredito nisso para todo mundo, menos para mim.
Entregando o seu Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta que o seu plano sobre nós é um desígnio de amor benevolente, independente de qualquer mérito da nossa parte: «Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Deus que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10) Cf. 1 Jo 4, 19.. «Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores» (Rm 5, 8).
Este amor é sem exclusão. Jesus lembrou-o ao terminar a parábola da ovelha perdida: «Assim, não é da vontade do meu Pai, que está nos céus, que se perca um só destes pequeninos» (Mt 18, 14). E afirma «dar a Sua vida em resgate pela multidão» (Mt 20, 28). Esta última expressão não é restritiva: simplesmente contrapõe o conjunto da humanidade à pessoa única do redentor, que Se entrega para a salvar Cf. Rm 5, 18-19.. No seguimento dos Apóstolos Cf. 2 Cor 5, 15: 1 Jo 2, 2., a Igreja ensina que Cristo morreu por todos os homens, sem excepção: «Não há, não houve, nem haverá nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido» Concílio de Quiercy (ano 853). De libero arbitrio hominis et de praedestinatione, canon 4: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum)..
No decorrer da sua história, Israel pôde descobrir que Deus só tinha uma razão para Se lhe ter revelado e o ter escolhido, de entre todos os povos, para ser o seu povo: o seu amor gratuito Cf. Dt 4, 37; 7, 8: 10, 15.. E Israel compreendeu, graças aos seus profetas, que foi também por amor que Deus não deixou de o salvar Cf. Is 43, 1-7. e de lhe perdoar a sua infidelidade e os seus pecados Cf. Os 2..
O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor dum pai para com o seu filho Cf. Os 11, 1.. Este amor é mais forte que o de uma mãe para com os seus filhos Cf. Is 49, 14-15.. Deus ama o seu povo, mais que um esposo a sua bem-amada Cf. Is 62, 4-5.; este amor vencerá mesmo as piores infidelidades Cf. Ez 16; Os 11.; e chegará ao mais precioso de todos os dons: «Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho Único» (Jo 3, 16).
São João irá ainda mais longe, ao afirmar: «Deus é Amor» (1 Jo 4, 8, 16): a própria essência de Deus é Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, o seu Filho único e o Espírito de Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo ": Ele próprio é eternamente permuta de amor: Pai, Filho e Espírito Santo; e destinou-nos a tomar parte nessa comunhão.