Os anjos

Anjo da guarda existe mesmo?

Estes parágrafos não estão na ordem do próprio Catecismo. O que responde diretamente à pergunta vem primeiro; nenhum foi deixado de fora.
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Desde o seu começo Cf. Mt 18, 10. até à morte Cf. Lc 16, 22., a vida humana é acompanhada pela sua assistência Cf. Sl 34, 8; 91, 10-13. e intercessão Cf. Job 33, 23-24; Zc 1, 12; Tb 12, 12.. «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida» São Basílio Magno, Adversus Eunomium 3, 1; SC — Sources Chrétiennes (patristic critical-edition series) (PG — Patrologia Graeca (Migne)B).. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.

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A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição.

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Santo Agostinho diz a respeito deles: «Angelus [...] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est: ex eo quod agit, angelus –Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)» Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 103, 1, 15: CCL 40, 1488 (PL — Patrologia Latina (Migne)).. Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo facto de contemplarem «continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 10), eles são «os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra» (Sl 103, 20).

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Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais Cf. Pio XII, Enc. Humani generis: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum). e imortais Cf. Lc 20. 36.. Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta Cf. Dn 10, 9-12..

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Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos...» (Mt 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: «em vista d'Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele» (Cl 1, 16), E são d'Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: «Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?» (Heb 1, 14).

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Ei-los, desde a criação Cf. Job 38, 7, onde os anjos são chamados «filhos de Deus». e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização: eles fecham o paraíso terrestre Cf. Gn 3, 24.; protegem Lot Cf. Gn 19., salvam Agar e seu filho Cf. Gn 21, 17., detêm a mão de Abraão Cf. Gn 22, 11. pelo seu ministério é comunicada a Lei Cf. Act 7. 53., são eles que conduzem o povo de Deus Cf. Ex 23, 20-23., anunciam nascimentos Cf. Jz 13. e vocações Cf. Jz 6, 11-24; Is 6. 6. assistem os profetas Cf. 1 Rs 19, 5. – para não citar senão alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus Cf. Lc 1, 11. 26..

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Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus «introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: Adorem-n'O todos os anjos de Deus» (Heb 1, 6). O seu cântico de louvor, na altura do nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: «Glória a Deus [...]» (Lc 2, 14). Eles protegem a infância de Jesus Cf. Mt 1, 20; 2, 13.19., servem-n'O no deserto Cf. Mc 1, 13; Mt 4, 11. e confortam-n'O na agonia Cf. Lc 22, 43. no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos Cf. Mt 26, 53. como outrora Israel Cf. 2 Mac 10, 29-30; 11, 8.. São ainda os anjos que «evangelizam» Cf. Lc 2, 10., anunciando a Boa-Nova da Encarnação Cf. Lc 2, 8-14. e da Ressurreição Cf. Mc 16, 5-7. de Cristo. E estarão presentes aquando da segunda vinda de Cristo, que anunciam Cf. Act 1, 10-11., ao serviço do seu juízo Cf. Mt 13, 41; 24, 31; Lc 12, 8-9..

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Daqui resulta que toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos Cf. Act 5, 18-20; 8, 26-29; 10, 3-8; 12, 6-11; 27, 23-25..

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Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo Cf. Oração eucarística. «Santo»: (editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 392) [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 452].; invoca a sua assistência (como na oração "In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso" da Liturgia dos Defuntos Ordo exsequiarum, 50, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969), p. 23 [Ed. portuguesa: Celebração das Exéquias. Braga, Conferência Episcopal Portuguesa – Editorial A.O., 1984, n. 77, p. 71]., ou ainda no «Hino querubínico» da Liturgia bizantina Liturgia Byzantina sancti Ioannis Chrysostomi, Hymnus cherubinorum: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman (Oxford 1896) p. 377., e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda).