Cântico dos Cânticos 5

As edições aqui dividem esta passagem em versículos por princípios diferentes, de forma que um mesmo número não designa as mesmas palavras em cada uma.

O esposo para a esposa: para os amigos. Esposa. Esposa. Filhas de Jerusalém. Esposa. Filhas de Jerusalém.

O esposo para a esposa: para os amigos.
Esposa.
Venha o meu amado para o seu jardim A Igreja é inteiramente de Cristo, que encontra nela sem cessar as suas delícias. — Comei... O esposo insta com os seus amigos para tomarem parte no festim nupcial, que põe termo às núpcias místicas de Cristo com a Igreja. Há nestas palavras um símbolo manifesto da divina Eucaristia., e coma dos seus belos frutos! Eu vim para o meu jardim, irmã minha esposa; colhi a minha mirra e o meu bálsamo; comi o favo com o meu mel; bebi o meu vinho com o meu leite. Comei, amigos, e bebei, inebriai-vos caríssimos. Ânsia que a Igreja tem de receber a Cristo e de o ver recolher os frutos que ele produziu nela. Bondade com que Cristo responde aos desejos da Igreja e chama as almas. Infelicidade dos que recusam abrir-lhe a porta do seu coração, quando ele bate. Perfeições de Cristo.

CANTO IV

A esposa narra outro sonho e proclama os louvores do esposo

Esposa.
Eu durmo, mas o meu coração vela... Eis a voz do meu amado, que bate (dizendo): Abre-me, ó minha irmã, amiga minha, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, e os anéis do meu cabelo (estão cheios) de gotas da noite. Visita nocturna. Deus bate a todas as horas à porta dos nossos corações, e é preciso responder prontamente à sua chamada. (Eu respondi-lhe): Despojei-me da minha túnica, como hei-de vesti-la novamente? Lavei os meus pés, como hei-de tornar a sujá-los? O meu amado meteu a sua mão pela abertura (da porta), e o meu coração estremeceu. Levantei-me para abrir ao meu amado: as minhas mãos destilaram mirra, e os meus dedos a mirra mais preciosa, sobre a aldrava da fechadura. Abri a minha porta ao meu amado, tirando-lhe o ferrolho, mas ele já se tinha ido, já tinha desaparecido. A minha alma ficava fora de si ao som da sua voz. Busquei-o, mas não o achei; chamei-o, e ele não me respondeu. Se não respondermos a Deus quando nos chama, ele retira-se de nós e temos de vencer obstáculos para o encontrar. Encontraram-me os guardas que rondam a cidade, bateram-me, feriram-me. Tiraram-me o meu manto, os guardas das muralhas. Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, que, se encontrardes o meu amado, lhe façais saber que desfaleço de amor.
Filhas de Jerusalém.
Que tem o teu amado a mais que (qualquer) outro amado, ó formosíssima entre todas as mulheres? Que tem o teu amado a mais que (qualquer) outro, para que assim nos conjures (a que o procuremos)?
Esposa.
O meu amado é cândido e rubicundo, escolhido entre milhares. Segundo os Santos Padres, estes versículos descrevem o retrato do Verbo incarnado, depois da sua ressurreição gloriosa. A sua cabeça é do oiro mais puro: as suas madeixas flexíveis são negras como um corvo. Os seus olhos são como pombas (que repousam) junto dos regatos, que, lavadas em leite, se conservam junto das grandes correntes de água. As suas faces são como canteiros de balsameiros, como maciços de plantas odoríferas. Os seus lábios são lírios, que destilam a mirra mais preciosa. As suas mãos são (conto) cilindros de oiro, esmaltadas de pedras de Tharsis. O seu peito é de marfim, guarnecido de safiras. As suas pernas são colunas de mármore branco, sustentadas sobre bases de oiro. O seu aspecto (majestoso) é como o do Líbano, elegante como os cedros. A sua boca é só doçura, todo ele é um encanto. Tal é o meu amado, tal é o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.

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