Daniel 13

Susana no banho

Apêndice

História de Susana

Susana e os dois velhos.
Havia um homem, que habitava em Babilónia, cujo nome era Joaquim, Havia um homem que habitava em Babilónia... A história de Susana, referida neste capitulo, vem no grego no princípio do Livro de Daniel. Pelo seu contexto se vê que o caso sucedeu no tempo do cativeiro de Babilónia. Daniel era então muito jovem, começando com este acontecimento a tornar-se célebre entre o povo. Donde se conclui que isto foi no intervalo dos três primeiros anos do seu cativeiro, de sorte que, segundo a ordem dos tempos, o lugar desta história devia ser depois do capitulo I. o qual casou com uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, formosíssima e temente a Deus, Susana quer dizer lírio. porque seus pais, como eram justos, tinham instruído a sua filha segundo a lei de Moisés. Ora Joaquim era muito rico e tinha um jardim junto de sua casa; os Judeus concorriam a ele, porque era o mais respeitável de todos. Naquele ano tinham sido constituídos juízes dois velhos dentre o povo, daqueles de quem o Senhor falou, quando disse; A iniquidade saiu da Babilónia por meio de velhos que eram juízes, os quais pareciam governar o povo. Daqueles de quem o Senhor falou, quando disse... Este dito não se acha nos livros da Sagrada Escritura, ou porque não se escreveu, ou porque se perdeu o livro em que estava escrito. Encontrava-se na tradição. Frequentavam estes a casa de Joaquim onde iam ter com eles os que tinham pleitos para julgar. Por volta do meio-dia, quando o povo se tinha retirado, Susana entrava e passeava no jardim do seu marido. Estes velhos viam-na entrar e passear, todos os dias, e conceberam uma paixão por ela. Perderam o senso e voltaram os seus olhos para não verem o céu, nem se lembraram dos justos juízos. Estavam ambos feridos de paixão por Susana, mas não declararam um ao outro a sua paixão, porque se envergonhavam de descobrir um ao outro o desejo de a possuir. Observavam todos os dias com grande cuidado o tempo em que a poderiam ver. (Um, dia) disseram entre si: Vamos para casa, porque são horas de comer. (Realmente), tendo saído separaram-se um do outro. Mas, tornando logo (cada um) a vir, encontraram-se de novo num mesmo lugar. Depois de se terem perguntado mutuamente a causa, confessaram a sua paixão, e, então, de comum acordo, fixaram o tempo em que a poderiam encontrar só.
Atentado dos velhos que acusam Susana.
Aconteceu, pois, que, aguardando eles uma ocasião oportuna, entrou ela, como de costume, acompanhada somente de duas donzelas, e quis banhar-se no jardim, acusam porque fazia (muito) calor. Não se encontrava então ali ninguém, senão os dois velhos, que estavam escondidos e a contemplavam. Disse Susana às donzelas: Trazei-me os óleos e os perfumes, e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho. Elas fizeram o que lhes tinha mandado; fecharam as portas do jardim e saíram por uma porta escusa, para trazerem o que lhes havia ordenado, ignorando que os velhos estavam dentro escondidos. Logo que as donzelas saíram, levantaram-se os dois velhos, correram para ela e disseram-lhe: Estão fechadas as portas do jardim; ninguém nos vê, e nós ardemos em paixão por ti; rende-te, pois, ao nosso desejo, entrega-te a nós. Se recusas, daremos testemunho contra ti, dizendo que estava contigo um jovem e que foi por isso que despediste as donzelas. (Ao ouvir isto) Susana gemeu e disse: De todas as partes me vejo cercada de angústias: se eu fizer isto, incorro na morte; se não o fizer, não escaparei das vossas mãos. Incorro na morte morai, que é o pecado. Porém melhor é para mim cair inocente entre as vossas mãos, do que pecar na presença do Senhor. E imediatamente deu Susana um grande grito. Então os dois velhos também gritaram contra ela. E um deles correu à porta do jardim e abriu-a. Os criados da casa, tendo ouvido gritar no jardim, correram lá pela porta escusa, para verem o que era. Quando os velhos falaram, ficaram os criados sumamente envergonhados, porque nunca semelhante coisa se tinho dito de Susana.
Julgamento e condenação de Susana.
No dia seguinte, tendo vindo o povo à casa de Joaquim, seu marido, vieram também os dois velhos, cheios de iníquos pensamentos contra Susana, para lhe fazerem perder a vida. Disseram diante do povo: Mandai buscar Susana, filha de Helcias, mulher de Joaquim. Mandaram-na buscar. Ela veio, acompanhada de seus pais, seus filhos e de todos os seus parentes. Ora Susana era de traços delicados e de uma formosura extraordinária. Então aqueles malvados mandaram-lhe descobrir o rosto, porque estava velada, para se fartarem com a vista da sua beleza. Entretanto choravam os seus é todos os que a conheciam. Aqueles dois velhos, levantando-se no meio do povo, puseram as suas mãos sobre a cabeça de Susana. Ela, chorando, levantou os olhos ao céu, porque o seu coração tinha uma firme confiança no Senhor.
A justificação de Susana
Os velhos disseram: Quando passeávamos sós na jardim, entrou esta mulher com duas donzelas; fechou as portas do jardim e despediu as donzelas. Então um jovem, que estava escondido, foi ao seu encontro e pecou com ela. Nós, que estávamos a um canto do jardim, vendo esta maldade, corremos para eles e vimo-los ambos neste acto. Não pudemos apanhar o jovem, porque era mais forte do que nós, o qual, tendo aberto a porta, fugiu. A ela conseguimos apanhá-la e perguntámos-lhe que jovem era aquele, mas não no-lo quis dizer. Deste sucesso somos nós testemunhas. Todo o ajuntamento lhes deu crédito, como a velhos e a juízes do povo, e ela foi condenada à morte. Então Susana exclamou em alta voz: Deus eterno, que penetras as coisas escondidas, que conheces todas as coisas ainda antes que aconteçam, tu sabes que eles levantaram contra mim um falso testemunho; e eis que morro, sem ter feito nada do que inventaram criminosamente contra mim. O Senhor ouviu a sua oração. Quando a conduziam à morte, suscitou o Senhor o santo espírito (da profecia) num jovem chamado Daniel, o qual gritou em alta voz: Estou inocente do sangue desta mulher. Voltou-se para ele todo o povo e disse-lhe: Que significa essa palavra, que acabas de proferir? Ele, pondo-se em pé no meio de todos, disse: É possível, filhos de Israel, que sejais vós tão insensatos que, sem o devido exame e conhecimento da verdade, tenhais condenado uma filha de Israel? Julgai-a de novo, porque eles disseram um falso testemunho contra ela.
Julgamento e condenação dos dois velhos.
Voltou, pois, o povo, apressadamente, e os velhos disseram a Daniel: Vem, assenta-te no meio de nós e esclarece-nos, visto que Deus te deu a honra da velhice, E os velhos disseram a Daniel, por ironia e ludibrio, como quem insultava a meninice e confiança de Daniel. Daniel disse ao povo: Separai-os longe um do outro, e eu os julgarei. Tendo sido separados, chamou Daniel um deles e disse-lhe: Homem inveterado no mal, os pecados que cometias noutro tempo, voltam agora sobre ti, que pronunciavas juízos injustos, que oprimias os Inocentes e absolvias os culpados, apesar de o Senhor ter dito: Não farás morrer o inocente e o justo. Ora bem! Se a viste (pecar), dize: Debaixo de que árvore os viste juntos? Ele respondeu: Debaixo dum lentisco. Daniel disse-lhe: Verdadeiramente mentiste contra a tua cabeça, porque eis que o anjo de Deus, tendo recebido dele (O poder de executar) a sentença (proferida contra ti), te partirá pelo meio. Tendo feito retirar este, mandou que viesse o outro, e disse-lhe: Raça de Canaan, e não de Judá, a formosura seduziu-te, e a concupiscência perverteu-te o coração. Era assim que vós fazíeis às filhas de Israel, e elas, com medo, condescendiam convosco; porém esta filha de Judá não suportou a vossa iniquidade. Dize-me, pois, agora: Debaixo de que árvore os surpreendeste juntos? Ele respondeu: Debaixo dum carvalho. Daniel disse-lhe: Verdadeiramente também tu mentiste contra a tua cabeça, porque o anjo do Senhor está esperando, com a espada na mão, para te cortar pelo meio, para te matar. Imediatamente toda a assembleia gritou em alta voz, bem-dizendo a Deus; que salva os que esperam nele. Então levantaram-se contra os dois velhos, os quais Daniel havia convencido por sua própria boca de terem dado um testemunho falso, e fizeram-lhes sofrer o mesmo mal que eles tinham intentado contra o seu próximo, para cumprirem com a lei de Moisés: mataram-nos, sendo salvo o sangue inocente naquele dia.
Acção de graças: prestígio de Daniel.
Então Helcias e sua mulher louvaram a Deus por (ter salvado) Susana, sua filha, com Joaquim, seu marido, e com todos os parentes por se não ter achado nela coisa que ofendesse a honestidade. E Daniel, desde aquele dia em diante, tornou-se grande diante do povo.

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