Eclesiástico 21
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Fugir do pecado.
1 Filho, pecaste? Não tornes a pecar, mas faze oração pelas tuas faltas passadas, para que te sejam perdoadas. 2 Foge dos pecados como de uma serpente, porque, se te aproximares, serás apanhado. 3 Os seus dentes são dentes de leão, que matam as almas dos homens. 4 Todo o pecado é como uma espada de dois fios; a sua ferida não tem cura. A ferida do pecado grave é por sua natureza mortal, e nenhuma força criada a pode curar: somente Deus é que pode dar a vida da graça a uma alma infeliz que a perdeu. 5 O ultraje e as violências aniquilam a riqueza; a mais opulenta casa será destruída pela soberba; do mesmo modo os bens do soberbo serão arrancados pela raiz. 6 A súplica do pobre chegará desde a sua boca até aos ouvidos de Deus, e prontamente lhe será feita justiça. 7 Aquele que aborrece a repreensão caminha por cima das pegadas do pecador; aquele que teme a Deus converter-se-á do (intimo do) seu coração. 8 O homem poderoso de língua insolente dá-se a conhecer ao longe, mas o sábio sabe escapar-se dele. 9 Aquele que edifica a sua casa à custa alheia, é como o que ajunta as suas pedras no inverno. No inverno, em que não é ocasião própria para construir. 10 A assembleia dos pecadores é como um montão de estopa: o seu fim será a fogueira. 11 O caminho dos pecadores é calcetado de pedras unidas entre si, mas vai dar à habitação dos mortos, às trevas e aos tormentos.O sábio e o louco.
12 Aquele que guarda a justiça penetrará o espírito dela. 13 A sabedoria e o bom senso são a consumação do temor de Deus. 14 Aquele que não é sábio no bem, nunca será (bem) instruído. 15 Há uma sabedoria que é fecunda no mal, e não há bom senso onde há amargura. 16 A ciência do sábio derrama-se abundantemente, como (água de) uma inundação, e o seu conselho permanece como uma fonte de vida. 17 O coração do insensato é como um vaso rachado: nada pode reter da sabedoria. 18 O sábio, ouvindo qualquer palavra judiciosa, louvá-la-á e aplicá-la-á a si; se porém a ouve o voluptuoso, não lhe agradará, e deitá-la-á para trás das costas. 19 A conversação do insensato é (aborrecida) como uma carga durante a viagem, mas nos lábios do sensato achar-se-á a graça. 20 A boca do homem prudente é buscada na assembleia: as pessoas pensarão nas suas palavras dentro dos seus corações. 21 A sabedoria é para o insensato como uma casa arruinada; a ciência do insensato reduz-se a palavras sem sentido. 22 A doutrina A, instrução sobre a virtude é para o insensato uma coisa desagradável que lhe tira a liberdade dos movimentos. é para o insensato como grilhões nos pés, e como algemas na mão direita. 23 O insensato, quando se ri, levanta a sua voz; mas o varão sábio apenas se sorri discretamente. 24 A ciência é para o homem prudente um ornamento de ouro, e como um bracelete no seu braço direito. 25 O pé do insensato é fácil em se meter em casa do vizinho, porém o homem educado retrai-se diante duma pessoa poderosa. 26 O insensato olha pela janela dentro duma casa, mas o homem educado conserva-se fora. 27 É má educação escutar a uma porta; ao prudente será insuportável esta grosseria. 28 Os lábios dos imprudentes dirão fatuidades, mas as palavras dos homens prudentes serão pesadas na balança. 29 O coração dos insensatos está na sua boca, e a boca dos sábios está no seu coração. 30 Quando o ímpio amaldiçoa o inimigo, amaldiçoa-se a si mesmo. 31 O mexeriqueiro mancha-se a si próprio, e é aborrecido de todos; o que mora com ele será odioso; o homem prudente, que se cala, será honrado.Citado em 4
- v. 2 Summa (EN)(II-II 35.1
II-II 62.8) - v. 28 CCC(¶2477)
- v. 30 Summa (EN)(II-II 76.1)