Eclesiástico 27
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
1 Por causa da pobreza muitos delinquiram; aquele que procura enriquecer-se afasta os olhos. Afasta os olhos de Deus, da justiça e da virtude. 2 Como se finca um pau no meio da juntura de duas pedras, assim também se introduzirá o pecado entre a venda e a compra. 3 O delito será destruído com o delinquente. 4 Se te não mantiveres firmemente no temor do Senhor, depressa a tua casa será arruinada.
O falar manifesta o interior do homem.
5 Como quando se abana o crivo apenas ficam as alimpas, assim a perplexidade do homem fica no seu pensamento. 6 O forno prova os vasos do oleiro, e a prova dá tribulação, os homens justos. 7 Como o cuidado que se tem da árvore se dá a conhecer no fruto, assim a palavra manifesta o que vai no coração do homem. 8 Não louves um homem antes de ele falar, porque esta é a prova dos homens.Procurar a justiça.
9 Se fores atrás da justiça, alcançá-la-ás, dela te revestirás como duma vestidura talar de glória; com ela habitarás, ela te protegerá para sempre, e no dia do juízo acharás nela apoio. 10 As aves chegam-se para os seus semelhantes; assim a verdade volta para aqueles que a praticam. A palavra verdade significa, neste lugar, santidade de vida, virtude. 11 O leão está sempre à espreita da presa; assim os pecados armam laços aos que praticam a iniquidade.Conversação dos insensatos.
12 O homem santo persevera na sabedoria como o Sol; o insensato, porém, muda como a lua. 13 No meio dos insensatos guarda a palavra para outro tempo; (evita-os e) permanece, antes, de continuo entre os que pensam (bem). 14 A conversação dos pecadores é odiosa, e o seu riso é nas delicias do pecado. 15 O discurso do que muito jura fará arripiar os cabelos da cabeça, e a sua irreverência fará tapar os ouvidos. 16 Na bulha dos soberbos há efusão de sangue; é penoso ouvir as suas maldições.Os segredos na amizade.
17 Aquele que descobre os segredos do amigo, perde o crédito e não encontrará mais um amigo a seu gosto. 18 Ama o teu próximo e sê leal na amizade com ele. 19 Se descobrires os seus segredos, não o voltarás a ganhar. 20 Como um homem que mata o seu amigo, assim é o que destrói a amizade do seu próximo. 21 Como aquele que deixa ir da sua mão o pássaro. assim tu deixaste ir o teu próximo, e não o conciliarás mais. 22 Não o sigas, porque já está muito distante; fugiu do laço como uma gazela. Porque foi ferida a sua alma,Hipocrisia.
23 não poderás mais atraí-lo a ti. Depois duma injúria há reconciliação; 24 mas o revelar os segredos do amigo tira toda a esperança a uma alma infeliz. 25 O que pisca os olhos forja maus desígnios, e ninguém o pode afastar de si. Ninguém o pode. E ninguém poderá evitar as suas perfídias. 26 Na tua presença falará com doçura, admirará o que tu disseres, mas depois mudará de linguagem e armará laços às tuas palavras. 27 Muitas coisas aborreço, mas nenhuma como um tal homem; o Senhor o aborrece também.O mau prejudica-se a si próprio.
28 Quando alguém lança uma pedra ao alto, ela cairá sobre a sua cabeça; assim a ferida traiçoeira abrirá feridas no traidor. 29 O que abre a cova, cairá nela; o que põe uma pedra no caminho para tropeço do próximo, tropeçará nela; o que arma um laço a outrem, nele perecerá. 30 O desígnio perverso recairá sobre o que o forja, que não saberá donde lhe vem o mal. 31 O escárnio e o ultraje são próprios dos soberbos, e a vingança, como um leão, armar-lhe-á ciladas. 32 Aqueles que se alegram com a queda dos justos, perecerão no laço, e a dor os consumirá antes da sua morte.Perdoar ao próximo para obter o perdão de Deus.
33 A ira e o furor são duas coisas execráveis; o pecador as terá em si mesmo.Citado em 4
- v. 1 Summa (EN)(II-II 186.3)
- v. 8 Summa (EN)(II-II 115.1)
- v. 16 CCC(¶2489)
- v. 17 CCC(¶2489)