Eclesiástico 31
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Amor desordenado das riquezas.
1 As vigílias para enriquecer consomem as carnes, e a preocupação com isso tira o sono. 2 O pensamento inquieto sobre o que poderá suceder perturba o sossego, e a enfermidade grave torna a alma sóbria Diminuindo a violência das paixões.. 3 O rico afadiga-se por juntar riquezas, e, quando se entrega ao repouso, goza dos seus bens. Quando se entrega ao repouso, quando se retira dos negócios. 4 Trabalha o pobre para ter que comer, e no fim acha-se (ainda) necessitado. 5 Aquele que ama o ouro não estará sem pecado, e aquele que vai atrás da corrupção, será cheio dela. 6 Muitos caíram por causa do ouro, cuja beleza foi a sua perdição. 7 O ouro é uma pedra de tropeço para os que lhe sacrificam. Ai daqueles que vão atrás dele! Por sua causa perecerá todo o insensato.O rico bem-aventurado.
8 Bem-aventurado o rico que foi achado sem mancha, que não correu atraído pelo ouro, que não pôs a sua esperança no dinheiro nem nos tesouros. 9 Quem é este, para nós o louvarmos? Realmente fez coisas maravilhosas em sua vida. 10 Ao que foi provado pelo ouro e encontrado perfeito, está reservada uma glória eterna: pôde transgredir a lei de Deus, e não a transgrediu, pôde fazer o mal, e não o fez. Foi provado pelo ouro: possuindo-o. não abusou dele. 11 Por isso os seus bens foram assegurados no Senhor, e toda a assembleia dos santos celebrará as suas esmolas.Como proceder nos banquetes.
12 Sentaste-te a uma grande mesa? Não sejas tu o primeiro a abrir a boca. 13 Não digas: Que abundância de iguarias há sobre ela! 14 Lembra-te que é má coisa um olho invejoso. 15 Que coisa há pior que semelhante olho? Por isso chora com todo o seu rosto. 16 Quando olhar (aquele que te convidou), não sejas o primeiro a estender a mão, para que não cores, envergonhado pela tua gula. 17 Não comas à sobreposse, durante o banquete. 18 Julga das disposições do teu próximo pelas tuas. 19 Usa como um homem sóbrio do que te puser diante, não suceda que, por comeres muito, te tornes odioso. 20 Sê o primeiro a acabar em sinal da tua boa educação, e não te desmandes, para que não desgostes ninguém. 21 Se estás sentado entre muitas pessoas, não estendas a mão antes delas, nem sejas o primeiro a pedir de beber. 22 Quão pouco vinho é suficiente para um homem regrado! Assim, quando dormires, não te causará desassossego, nem sentirás dor. 23 Vigília, cólica e ânsias, terá o homem intemperante. 24 O homem sóbrio terá um sono salutar, dormirá até pela manhã, e a sua alma se deleitará com ele. 25 Se fores obrigado a comer muito, levanta-te e vomita: achar-te-ás aliviado, e não atrairás ao teu corpo uma doença. 26 Ouve-me, filho, e não me desprezes: no fim reconhecerás a verdade das minhas palavras. 27 Sê pronto em todas as tuas acções, e não te virá nenhuma enfermidade. 28 Os lábios de muitos bem-dirão aquele que dá de comer liberalmente, e dar-se-á um testemunho fiel da sua generosidade. 29 Toda a cidade murmurará contra o que é mesquinho em dar pão, e o testemunho que dá da sua mesquinhez é verdadeiro.Uso do vinho.
30 Não provoques (a beber) aqueles que são amigos do vinho, porque o vinho tem perdido muitos. 31 O fogo prova a dureza do ferro: assim o vinho bebido até embriagar dará a conhecer o coração dos soberbos. 32 O vinho bebido com sobriedade é como vida para os homens; se o beberes moderadamente, serás sóbrio. 33 Que vida é a daquele a quem falta o vinho? 34 Que coisa é a que nos priva da vida? A morte. 35 O vinho desde o princípio foi criado para regozijo, e não para embriaguez. 36 O vinho bebido moderadamente é o júbilo da alma e do coração. 37 A temperança no beber é a saúde da alma e do corpo. 38 O vinho bebido com excesso produz a irritação, a ira e muitas ruínas. 39 O vinho bebido com excesso é a amargura da alma. 40 A embriaguez inspira audácia, faz cair o insensato, diminui as forças e ocasiona feridas. 41 Em um festim de vinho (abundante) não arguas o próximo, e não o desprezes no calor da sua alegria. 42 Não lhe digas palavras de censura e não o apertes com qualquer reclamação.Citado em 7
- v. 1 Summa (EN)(II-II 188.5)
- v. 8 Summa (EN)(II-II 186.3)
- v. 25 Summa (EN)(II-II 148.6)
- v. 32 Summa (EN)(II-II 149.1)
- v. 36 Summa (EN)(II-II 149.3)
- v. 37 Summa (EN)(II-II 149.1)
- v. 38 Summa (EN)(II-II 149.1)