Gálatas 3

A LEI E O EVANGELHO

Impossibilidade da lei. Apelo à experiência dos Gálatas.
Os Gálatas insensatos, quem vos fascinou (para não obedecerdes à verdade) vós, ante cujos olhos (pela minha viva pregação) foi já representado Jesus Cristo crucificado? Só quero saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela submissão à fé? Sois tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Tendes sofrido tanto (por Cristo) em vão! Se é que todavia foi em vão! Aquele, pois, que vos dá o seu Espírito e que opera milagres entre vós, fá-lo porventura pelas obras da lei ou pela submissão à fé? Foi o caso de Abraão: Creu em Deus, e isto lhe foi tido em conta para a justiça ( Gn 15, 6 ). Reconhecei, pois, que os que são da fé, são (os verdadeiros) filhos de Abraão.
A promessa da salvação é anterior à lei, e o seu cumprimento somente depende da fé viva.
Mas a Escritura, antevendo que Deus justificaria os gentios pela fé, deu antecipadamente a Abraão a boa nova: Em ti serão benditas todas as gentes ( Gn 18, 18 ). Aqueles, pois, que são da fé, serão benditos com o fiel Abraão, porque todos os que são pelas obras da lei (procurando nela a sua justificação), estão debaixo da maldição, pois está escrito: Maldito todo o que não observar todas as coisas que estão escritas no livro da lei ( Dt 27, 26 ). Ora é manifesto que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque, evidentemente, o justo vive da fé (Hc. 2, 4). Porém a lei não procede da fé, mas o que observar estes preceitos, terá nele a vida ( Lv 18, 5 ). Cristo remiu-nos da lei, feito (ele mesmo) maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que está pendurado no lenho (D l. 21,23); Feito maldição. Jesus tomou sobre si todas as maldições da lei, morrendo por nós sobre a cruz, tornando-se assim como que a maldição personificada. isto, para que a bênção de Abraão fosse comunicada aos gentios em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos por meio da fé o Espírito prometido.
A lei não ab-rogou a promessa.
Irmãos (falo como homem), um testamento, embora seja de um homem, estando confirmado, ninguém o anula, nem lhe acrescenta (coisa alguma). Ora as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. (A Escritura) não diz: Aos seus descendentes — como (se se tratasse) de muitos — mas (diz) como de um só: A tua descendência ( Gn 12, 7 ), a qual é Cristo. Ora, eis o que eu quero dizer: o testamento, confirmado por Deus, não foi anulado pela lei, feita quatrocentos e trinta anos depois, de modo a tornar vã a promessa. Em verdade, se pela lei é que vem a herança, já não vem pela promessa. Ora, foi pela promessa que Deus concedeu o seu favor a Abraão.
A lei foi dada aos Hebreus como um pedagogo encarregado de os conduzir a Cristo.
Para que é então a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões (para as refrear), até que viesse a descendência (de Abraão), a quem tinha sido feita a promessa, e foi promulgada pelos anjos através de um mediador (que foi Moisés). Ora um mediador não o é de um só; e Deus é só um. Logo (replicareis) a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte. Porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça (ou santidade) viria realmente da lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa fosse dada aos crentes mediante a fé em Jesus Cristo. Mas, antes que a fé viesse, estávamos encerrados sob a guarda da lei, na expectação daquela fé que havia de ser revelada. A lei, pois, foi o nosso pedagogo, para nos conduzir a Cristo, a fim de sermos justificados pela fé.
A fé libertou-nos da tutela da lei.
Mas, depois que veio a fé, já não estamos sujeitos ao pedagogo, porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, pois todos os que fostes batizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo. Não há judeu, nem grego; não há servo, nem livre; não há homem, nem mulher: todos vós sois um só em Jesus Cristo. Se sois de Cristo, sois a descendência de Abraão, os herdeiros segundo a promessa (sem necessitar para nada das cerimônias da lei).

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