Hebreus 4

A terra prometida é figura do descanso que Deus nos reservou também a nós.
Temamos pois que, desprezando a promessa (de Deus) de entrar no seu descanso, haja algum dentre vós que dele seja excluído. Assim como entre os Israelitas alguns não entraram na terra da promissão, temamos que, também entre os cristãos, haja algum que, desprezando com a sua infidelidade a promessa de Deus de entrar no descanso do céu, de que a terra da promissão era uma figura, dele seja excluído. Da mesma forma que eles (Israelitas), também nós recebemos a boa nova; porém a palavra que eles ouviram, não lhes aproveitou, por não ser acompanhada da fé por parte daqueles que a tinham ouvido. Porém nós, que cremos, entraremos no descanso (do céu), segundo disse: Como jurei na minha ira, não entrarão no meu descanso (S. 95,11). Com certeza (Deus fala daquele descanso que teve lugar quando) estavam concluídas as suas obras depois da criação do mundo. E com certeza. Desde estas palavras até ao vers. 10, S. Paulo demonstra que o descanso a que o Salmista se refere na passagem citada é a participação da felicidade eterna de Deus. O Salmista exorta os seus contemporâneos a não endurecer os seus corações para não serem excluídos do descanso de Deus. Ora este descanso de Deus, para os contemporâneos do Salmista, não podia ser a terra da promissão, porque já a habitavam , mas devia ser aquele descanso que, segundo a Escritura, Deus tomou depois da criação do mundo: descanso eterno reservado aos justos, depois da vida presente. Com efeito, em certo lugar falou assim do sétimo dia: E Deus descansou no sétimo dia de todos as suas obras ( Gn 2, 2 ). E outra vez: Não entrarão no meu descanso ( Sl 94, 11 ). Como, pois, alguns entram nele, e aqueles, a quem primeiro foi anunciada a boa nova, não entraram por causa da sua incredulidade, (Deus) fixa de novo um certo dia (que ele chama). Hoje, dizendo, por meio de David, muito tempo depois, o que acima foi citado: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações. De fato, se Josué lhes tivesse dado o descanso, Deus não teria falado, depois disso, de um outro dia. Resta portanto um repouso sabático (no céu) para o povo de Deus. Realmente aquele que entrou no descanso de Deus, também repousa das suas obras, como Deus das dele.
Temer o efeito das ameaças divinas.
Apressemos-nos, pois, a entrar naquele descanso, para que ninguém caia, dando tal exemplo de desobediência. Porque a palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que toda a espada de dois gumes; chega até à separação da alma e do espírito, das junturas e das medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Não há nenhuma criatura invisível na sua presença, mas todas as coisas estão a nu e a descoberto, aos olhos daquele de quem falamos.

II - Comparação entre o Sacerdócio de um e de outro Testamento

Confiar em Cristo nosso Pontífice.
Tendo nós, pois, um grande pontífice, que penetrou os céus, Jesus, Filho de Deus, sejamos firmes na profissão da nossa fé. Não temos um pontífice que não possa compadecer-se das nossas enfermidades, mas que foi tentado em tudo á nossa semelhança, excepto no pecado. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e de encontrar graça, para sermos socorridos em tempo oportuno.

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