I Coríntios 15

V - Ressurreição dos mortos

A ressurreição de Jesus é prova da nossa ressurreição futura.
Declaro-vos, Irmãos, o Evangelho que vos preguei, o qual recebestes, no qual perseverais, pelo qual sereis também salvos, se o conservais como vo-lo preguei, excepto se tiverdes crido em vão. Porque, antes de tudo, ensinei-vos o que eu mesmo aprendi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as mesmas Escrituras; que foi visto por Cefas e depois pelos onze; que, a seguir, foi visto por mais de quinhentos irmãos, por uma só vez, dos quais ainda hoje vive a maior parte, e alguns já morreram; que, depois, foi visto por Tiago e, em seguida, por todos os Apóstolos; que, por último, depois de todos, foi também visto por mim, como por um aborto. Efectivamente, sou o mínimo dos Apóstolos, que não sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e a sua graça, que está em mim, não foi vã, antes tenho trabalhado mais que todos eles; não eu, porém, mas a graça de Deus, que está comigo. Portanto, seja eu, ou sejam eles, assim pregamos, e assim crestes. Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns, entre vós, que não há ressurreição dos mortos? Pois, se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, é também vã a vossa fé. Somos assim considerados falsas testemunhas de Deus, porque demos testemunho contra Deus (dizemos) que ressuscitou a Cristo, ao qual não ressuscitou, se os mortos não ressuscitam. Verdadeiramente, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou Não é o verdadeiro Messias, que devia satisfazer pelos pecados, por isso é vã a vossa fé, porque os vossos pecados ainda não estão perdoados (ainda permaneceis nos vossos pecados)., é vã a vossa fé, porque ainda permaneceis nos vossos pecados. Também, por conseguinte, os que adormeceram em Cristo, pereceram. Se somente nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas Cristo ressuscitou dos mortos, sendo ele as primícias dos que dormem, porque, assim como a morte veio por um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos. Assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas, cada um em sua ordem: como primícias. Cristo; depois, os que são de Cristo, que creram na sua vinda. Depois será o fim, quando (Cristo) tiver entregado o reino a Deus Pai, quando tiver destruído todo o principado, dominação e poder. No fim do mundo, Cristo, como homem apresentará a Deus Pai o seu reino, isto é, os seus escolhidos, como um troféu da sua vitória, e destruirá os inimigos desse seu reino (o principado, etc.). Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés ( Sl 109, 1 ). Ora o último inimigo a ser destruído será a morte: porque (Deus) todas as coisas sujeitou debaixo dos pés dele. Mas quando se diz: Tudo está submetido, — exceptua-se sem dúvida aquele que lhe submeteu todas as coisas. E, quando tudo lhe estiver sujeito, então ainda o mesmo Filho estará sujeito aquele que sujeitou a ele todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todas as coisas.
Argumento tirado do proceder dos simples fiéis e dos Apóstolos.
Doutra sorte, que farão os que se baptizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se baptizam por eles? Os que se baptisam pelos mortos. É difícil saber o que era este baptismo ou ablução pelos mortos. Alguns, dizem que significava a penitência a que alguns se sujeitavam para alivio das almas dos seus amigos falecidos. A opinião mais provável é a que admite que, no tempo do Apóstolo, quando morria algum catecúmeno sem baptismo, um seu amigo ou parente recebia por ele as cerimônias do Baptismo. O Apóstolo, sem aprovar este proceder, conclui que devem crer na ressurreição porque tal cerimônia funda-se na crença da outra vida e é justo que o corpo participe do mesmo prêmio ou castigo que a alma receber. Por que nos expomos também nós a perigos, a toda a hora? Todos os dias, Irmãos, morro (juro-o) pela glória que tenho de vós em Jesus Cristo Nosso Senhor. Se foi com vistas humanas que batalhei com as feras em Éfeso, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, "comamos e bebamos, porque amanhã morreremos" ( Is 22, 13 ). Não vos deixeis seduzir: "As más companhias corrompem os bons costumes." As más companhias... Verso do poeta Menandro, citado como provérbio. Entrai em vós próprios seriamente e não pequeis, porque alguns não têm o conhecimento de Deus; para vergonha vossa o digo.
Como se há-de dar ressurreição.
Mas, dirá alguém: Como ressuscitam os mortos? Com que corpo virão? Louco! O que tu semeias, não toma vida, se primeiro não morre. E, quando tu semeias, não semeias o corpo (da planta) que há-de nascer, mas um simples grão, como por exemplo de trigo ou de qualquer outra coisa. Porém Deus dá-lhe o corpo, como lhe apraz, e a cada uma das sementes o seu próprio corpo. Nem toda a carne é a mesma carne, mas uma certamente é a carne dos homens, outra a dos animais, uma a das aves, outra a dos peixes. Há corpos celestes e corpos terrestres, mas um é o brilho dos celestes, e outro o dos terrestres; uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua, outra a claridade das estrelas. E ainda há diferença de estrela para estrela em claridade. Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se (o corpo) corruptível, ressuscitará incorruptível. Semeia-se na ignomínia, ressuscitará glorioso; semeia-se fraco, ressuscitará robusto; semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual. Se há corpo animal, também o há espiritual, como está escrito: O primeiro homem, Adão, foi alma vivente ( Gn 2, 7 ), o último Adão espírito vivificante. O último Adão, isto é, Jesus Cristo. Mas não é primeiro o espiritual, mas sim o animal; depois, o espiritual. O primeiro homem formado da terra, é terreno; o segundo homem vindo do céu, é celeste. Qual o terreno, tais também os terrenos; qual o celeste, tais também os celestes. Pelo que, assim como trouxemos a imagem do terreno, tragamos também a imagem do celeste. Ora eu digo isto, Irmãos, porque a carne e o sangue não podem possuir o reino de Deus, nem a corrupção herdará a incorruptibilidade. Eis que vos digo um mistério; não morreremos todos, mas todos seremos mudados. Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará) os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos mudados. Importa que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, que este corpo mortal se revista da imortalidade.
Vitória de Jesus sobre a morte.
Quando, pois, este corpo corruptível se tiver revestido da incorruptibilidade e este corpo mortal se tiver revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória ( Is 25, 8 ). Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? ( Os 13, 14 ). O teu aguilhão, com que procuravas inocular em todos o teu veneno. O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Porém, graças a Deus, que nos deu a vitória (contra a morte) por Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados Irmãos, sede firmes e constantes, trabalhando sempre cada vez mais na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.

Citado em 334