Jó 30
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Sua infelicidade presente.
1 Porém, agora zombam de mim os mais novos que eu, cujos pais noutro tempo não dignaria eu pôr com os cães Para guardar o meu rebanho. Não se dignava tomá-los ao seu serviço, visto serem infiéis. do meu rebanho! 2 De que me serviria a força dos seus braços? Não têm vigor algum. 3 Mirrados pela pobreza e pela fome, roem o deserto, terra, de há muito, árida e desolada; 4 apanham ervas e cascas de árvores, alimentam-se de raízes de giesta. 5 Escorraçados do meio da sociedade, perseguidos com gritos como ladrões, 6 habitam em horríveis desfiladeiros, nas cavernas da terra, ou nos penhascos, 7 rugindo entre os silvados e reunindo-se debaixo dos espinheiros. 8 Filhos de ignóbeis e desprezíveis, são mais pisados que a terra. 9 Agora cheguei a ser o assunto das cantigas, o objecto dos escárnios destes tais. 10 Eles abominam-me, fogem para longe de mim, e não receiam cuspir-me no rosto. 11 Perdido todo o respeito, me insultam, não se refreiam na minha presença. 12 A meu lado se levanta a gentalha, e procura caminhos para me perder. 13 Destroem as minhas veredas, preparam a minha ruína, e ninguém os contém. 14 Como por uma larga brecha, irrompem sobre mim, surgem do meio das ruínas. 15 Assaltam-me terrores, a minha prosperidade passou como vento, a minha felicidade passou como nuvem. 16 E agora dentro de mim mesmo se murcha a minha alma, e os dias de aflição apoderam-se de mim. 17 De noite os meus ossos são traspassados de dores, os (males) que me devoram, não dormem. 18 Pela sua violência, a minha veste é deformada; aperta-me como a gola da minha túnica. 19 Atirou-me ao lodo, e sou semelhante ao pó e à cinza. 20 Clamo a ti, e não me ouves, ponho-me diante de ti, e não olhas para mim. 21 Trocaste-te em severo para comigo, e cora a dureza da tua mão me combates. 22 Elevas-me, e, pondo-me sobre o vento, fazes-me debater no meio da tormenta. 23 Sei que me entregarás à morte, onde há casa estabelecida para todo o vivente. 24 Porventura o que vai perecer não estende as mãos, e, na sua infelicidade, não lança um grito? 25 Eu chorava outrora com aquele que estava aflito, e a minha alma compadecia-se do pobre. 26 Esperava bens, e vieram-me males; esperava a luz, e saíram-me trevas. 27 As minhas entranhas estão-se abrasando sem descanso algum; os dias da aflição surpreenderam-me. 28 Caminho triste, sem conforto, ponho-me a gritar no meio da multidão. 29 Sou (como) irmão dos chacais Porque os seus gritos lúgubres parecem-se com os meus lamentos. e companheiro dos avestruzes. 30 A minha pele está denegrida e vai caindo, e os meus ossos secaram-se pelo ardor. 31 A minha citara trocou-se em pranto, e a minha lira em lamentos.Citado em 2
- v. 23 Summa (EN)(Suppl 69.4)
- v. 27 Salvifici Doloris(§6)