Jó 36
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Quarto discurso de Eliú
Exórdio.
1 Eliú, continuando, disse: 2 Suporta-me um pouco, e eu me explicarei contigo, porque ainda tenho que falar em defesa de Deus. 3 Tornarei a pegar no discurso desde o principio, e provarei que o meu criador é justo. 4 Verdadeiramente os meus discursos são sem mentira; far-te-ei ver que a (minha) doutrina é sólida.Deus instrue os homens por meio das tribulações.
5 Deus é poderoso, mas não desdenhoso, é poderoso pela sua ciência, 6 Não deixa florescer os ímpios, e faz justiça aos pobres. 7 Não tirará (nunca) os seus olhos dos justos, e, ao fim, os colocará, com os reis, sobre o trono, numa glória eterna. 8 E, se estiverem em cadeias, atados com os laços da pobreza, 9 ele lhes fará ver as suas obras, as suas maldades, cometidas por orgulho. 10 Abrir-lhes-ã os ouvidos à correção e lhes falará para que se convertam da sua iniquidade. 11 Se ouvirem e obedecerem, acabarão os seus dias na felicidade, os seus anos em delícias. 12 Porém, se não ouvirem, serão passados à espada, e perecerão na sua cegueira. 13 Os corações impios entregam-se à cólera, não clamam a Deus, quando se vêem aprisionados. 14 Morrerão em plena juventude, e a sua vida acabará como a dos dissolutos. 15 Pelo contrário Deus livra o pobre, pela sua angústia, e abre-lhe o ouvido com a tribulação,Por isso devem-se suportar os males com paciência.
16 Ele te salvará (ó Job) do abismo estreito da angústia e te porá ao largo, em plena liberdade, (se te converteres), e tu repousarás à tua mesa cheia de gordas viandas. 17 Mas se seguires as vias do impio, suportarás a sentença e o castigo. 18 Não te leve, pois, a ira, ao arrebatamento, nem te faça desanimar a grandeza da expiação. 19 Poderá tirar-te da angústia o teu clamor, e todos os teus vigorosos esforços? 20 Não suspires pela noite (da morte), na qual entram os povos, um após outro. 21 Guarda-te de declinares para a iniquidade, ainda que a abraçasses, levado pela miséria.O poder de Deus manifestado nas suas obras.
22 Olha como Deus é excelso na sua fortaleza. Quem, como ele, é terrível? 23 Quem lhe prescreveu normas de conduta? Ou quem poderá dizer-lhe: Tu fizeste mal? 24 Lembra-te que deves celebrar a sua obra, a qual tantos homens cantaram. 25 Todos os homens o vêem, mas cada um o vê de longe. 26 Com efeito, Deus é grande e ultrapassa toda a nossa ciência, o número dos seus anos é incalculável. 27 Ele atrai as gotas de água, e derrama-as em (forma de) chuva, na cerração. 28 Caem dás nuvens, abundantemente sobre os homens. 29 Quem compreende a extensão das nuvens, os fragores do pavilhão (do Altíssimo)? 30 Ele estende em volta de si a sua luz desde o alto, e cobre as extremidades do mar. 31 Por meio destas coisas exerce os seus juízos sobre os povos, e alimenta abundantemente os mortais (fecundando a terra), 32 Nas suas mãos esconde a luz, e manda-lhe que torne de novo. 33 Faz conhecer a quem ama, que ele é possessão sua, e que pode subir até ela. Deus faz conhecer aos seus amigos que a luz será a sua possessão, e que, depois das trevas da adversidade, gozarão a luz da felicidade eterna, à qual todos devem esforçar-se por chegar.Citado em 10
- v. 6 Summa (EN)(Suppl 89.2)
- v. 13 Summa (EN)(II-II 111.2
II-II 111.4) - v. 17 Summa (EN)(III 49.6
III 59.3 Suppl 90.1) - v. 22 Summa (EN)(I-II 98.2)
- v. 26 CCC(¶223)Summa (EN)(I-II 112.5)
- v. 33 Summa (EN)(III 36.3)