Jó 9
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Resposta de Job a Baldad
Justiça e poder de Deus.
1 Respondendo Job, disse: 2 Eu sei verdadeiramente que é assim, que o homem comparado com Deus não é justo. 3 quisesse disputar com Deus, não lhe poderia responder por mil coisas uma só. 4 Deus é sábio de coração, e forte em poder; quem lhe resistiu e ficou em paz? 5 Ele transporta os montes, sem que eles o saibam, revolve-os na sua ira. 6 Ele sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas são abaladas. 7 Ele manda ao sol, e o sol não nasce; põe um selo nas estrelas. 8 Ele formou, sozinho, a extensão dos céus, e caminha sobre as ondas do mar. 9 Ele criou a Ursa, o Orião e as Pléiades, e os astros (que estão) no fundo do austro Isto é, no hemisfério austral.. 10 Ele faz coisas grandes e incompreensíveis, prodígios que não têm número. 11 Se ele vem O homem, nesta vida, é tão ignorante que não pode saber com certeza quando é que Deus está com ele nem quando se afasta. a mim, eu não o verei, se se retira não o perceberei. 12 Se levar uma presa, quem se lhe oporá? Quem lhe pode dizer: Por que fazes isto? 13 Deus. ninguém pode resistir à sua ira, e sob ele curvam-se os auxiliares de Rabab. Auxiliares de Rahab: monstros que personificam o Caos.Quem pode discutir com Deus?
14 Quem sou eu, pois, para lhe responder, e para lhe falar com as minhas próprias palavras? 15 Ainda que eu tivesse alguma razão, não responderia, mas imploraria a clemência do meu juiz. 16 E ainda que Deus me tivesse ouvido, eu não atribuo isto ao mérito das minhas súplicas, mas sòmente à sua infinita bondade e clemência. tivesse ouvido ás minhas súplicas, não acreditaria que tivesse feito caso da minha voz, 17 ele que me desfaz como num redemoinho, e multiplica as minhas feridas, mesmo sem (manifestar o) motivo; 18 que não deixa que o meu espírito repouse, e me enche de amarguras. 19 Se se busca fortaleza, ele é robustíssimo; se equidade de juízo, ninguém ousa dar testemunho em meu favor. Quer pela força, quer pelo raciocínio, ninguém ousa medir-se com Deus. 20 Se eu pretender justificar-me, a minha boca me condenará (de presunçoso); se me mostrar inocente, ele me convencerá de culpado. 21 Ainda que eu seja inocente, a minha alma o ignorará, e me será (sempre) fastidiosa a minha vida.Penas dos inocentes.
22 Uma só coisa disse: (Deus) aflige o inocente como ímpio. 23 Se ele fere Job, com linguagem hiperbólica, quer dizer que os golpes de Deus são tão terríveis, e o perigo de cair na impaciência é tão grande, que o justo pode preferir a morte a estar exposto à tentação, na qual pode sucumbir. Quer, além disso, dizer que Deus, nos seus desígnios insondáveis, trata às vezes com tanto rigor os seus mais caros amigos, que poderia parecer que é indiferente e que se ri dos seus sofrimentos., mate por uma vez, e não se ria das penas dos inocentes. 24 A terra foi entregue nas mãos do ímpio, e ele cobre com um véu os olhos dos seus juízes; se não é Deus (que o permite), quem é pois?Se a Majestade divina o não aterrorizasse, Job poderia provar a Deus a sua inocência.
25 Os dias da minha vida são mais velozes do que um correio; fogem sem terem visto a felicidade. 26 Passam como navios que levam fruta, como a águia que voa para a presa. 27 Se eu disser: "vou esquecer meus lamentos, mudar em alegre o meu ar triste", 28 temo por todas as minhas obras, sabendo que não perdoas Isto é, não deixas sem castigo. ao culpado. 29 Sou com certeza tido como culpado; para que, pois, fatigar-me em vão? 30 Ainda que me lavasse com água de neve, e as minhas mãos brilhassem como as mais limpas, Ainda que eu julgasse a minha consciência branca como a neve e as minhas obras puras (limpas), tu as mostrarias manchadas (me submergirias...). 31 contudo me submergirias na imundície. e os meus próprios vestidos teriam horror de mim. Ainda que eu julgasse a minha consciência branca como a neve e as minhas obras puras (limpas), tu as mostrarias manchadas (me submergirias...). 32 Porque eu não terei de responder a um homem semelhante a mim, nem contestar com ele como um meu igual. 33 Não há quem possa ser árbitro entre ambos, nem meter a sua mão (como mediador) entre os dois. 34 Retire ele a sua vara de mim, e não me amedronte o seu terror; 35 (então) falarei, e não o temerei porque no temor em que estou, não posso responder.Citado em 6
- v. 4 Summi Pontificatus(§71)
- v. 11 Summa (EN)(I-II 112.5)
- v. 28 Summa (EN)(II-II 54.3
II-II 60.4 Suppl 6.4) - v. 33 Summa (EN)(II-II 60.1)