Isaías 5
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Apólogo da vinha e a sua aplicação
Cântico da vinha.
1 Cantarei ao meu amado o seu cântico de amor à sua vinha. O meu amado adquiriu uma vinha, plantada numa fértil colina. Este canto, atribuído ao próprio Deus, manifesta as suas intenções acerca do seu povo, o qual é a vinha que ele plantou. 2 Cavou-lhe a terra, tirou-lhe as pedras, plantou-a de bacelo escolhido, edificou uma torre no meio, e construiu nela um lagar. Esperava que desse boas uvas, mas produziu agraços.Aplicação e explicação do cântico.
3 Agora, pois, habitantes de Jerusalém e homens de Judá, sede vós os juízes entre mim e a minha vinha. 4 Que coisa há que eu devesse fazer mais a minha vinha e que lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que ela desse boas uvas, apenas agraços produziu? 5 Agora vos mostrarei o que hei-de fazer à minha vinha: Arrancar-lhe-ei a sebe, e ficará exposta ao roubo; derrubar-lhe-ei o muro, e será pisada. 6 Farei com que fique deserta: não será podada nem cavada; crescerão nela os espinhos e os abrolhos; mandarei às nuvens que não derramem chuva sobre ela. 7 A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá a planta, na qual ele tinha as suas delícias. Esperava que praticassem a retidão e eis que só há sangue derramado; que praticassem a justiça, e eis que sòmente se ouvem clamor (dos oprimidos).Seis maldições: 1° contra o amor desordenado das riquezas.
8 Ai de vós os que ajuntais casas e mais casas, e ides acrescentando campo a campo, até chegar ao fim de todo o terreno, até ficardes os únicos donos da terra. 9 Aos meus ouvidos chegam estas coisas, ditas pelo Senhor dos exércitos: Muitas casas, sim, tornar-se-ão desertas, grandes e belas (casas) virão a ficar sem habitantes. 10 Dez geiras de vinhas produzirão apenas um bath, e um homer de semente não dará mais que um efa.2° contra os libertinos.
11 Ai de vós os que vos levantais pela manhã para vos entregardes à embriaguez, e para beberdes até à tarde, com tal excesso que venhais a ficar de todo esquentados pelo vinho. 12 A cítara, a harpa, o pandeiro, a flauta e o vinho, encontram-se nos vossos banquetes; e vós não olhais para a obra do Senhor, não considerais as obras das suas mãos. 13 Por isso é que o meu povo será levado cativo, sem dar conta disso, e os seus nobres morrerão de fome, e a sua multidão se mirrará de sede. 14 Por isso é que a habitação dos mortos alarga o seu seio, e desmesuradamente abre a sua boca; a ela descerá o esplendor (de Sião) com a sua multidão ruidosa e jovial. 15 O homem será abaixado e os grandes serão humilhados e os olhos dos altivos serão abatidos. 16 E o Senhor dos exércitos será exaltado (pela retidão) no juízo, e o santo Deus surgirá como tal pela (administração da sua) justiça. 17 Ali pastarão cordeiros, como em suas pastagens, e dos campos devastados dos ricos comerão os estranhos, o pais, quase sem habitantes, será convertido num grande campo de pastagens.3° contra os que querem passar por espíritos fortes.
18 Ai de vós os que arrastais a iniquidade com cordas de vaidade, e o pecado com os tirantes dum carro (à semelhança de animais)! Há neste versículo uma referência à escravidão que o pecado causa. 19 (Ai de) vós que dizeis: Que se apresse, que sem demora venha a sua obra, para que a vejamos; aproxime-se e cumpra-se o decreto do Santo de Israel, a fim de que nós o conheçamos.4° contra os que querem justificar as suas faltas.
20 Ai de vós os que ao mal chamais bem, e ao bem mal, que tomais as trevas por luz, e a luz por trevas, que tendes o amargo por doce, e o doce por amargo! 21 Ai de vós os que sois sábios a vossos olhos, e segundo vós mesmos, prudentes!5° contra os presunçosos.
22 Ai de vós os que sois valentes para beber vinho, e fortes para misturar licores (não o sois para administrar a justiça)!6° contra os juízes iníquos.
23 Ai de vós os que justificais o ímpio pelas dádivas, e ao justo tirais o seu direito!Castigo de Deus.
24 Por esta causa, assim como a língua do fogo devora a palha, e a erva seca se abrasa na chama, a raiz deles se fará podridão, e o seu renovo se dissipará como pó, porque rejeitaram a lei do Senhor dos exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel. 25 Por isso o furor do Senhor se acendeu contra o seu povo; estendeu a sua mão sobre ele e o feriu: os montes se abalaram, e os seus cadáveres foram lançados como esterco ao meio dos caminhos. Com todos estes castigos não se aplacou o seu furor, mas ainda está levantada a sua mão. 26 Arvorará um estandarte, para servir de sinal aos povos de longe, e chamalá-los-á com um assobio desde os confins da terra, e acorrerão com grande velocidade. Metáfora expressiva. O Senhor utilizou duas espécies de sinais para chamar os povos pagãos que, de longe, viriam castigar Israel; Um estandarte levantado e um assobio. 27 Não há neles quem sinta cansaço ou vacilação, nem quem dormite ou durma; ninguém desata o cinto dos seus rins, nem a correia do seu calçado. 28 As suas setas são agudas, todos os seus arcos estão retesados. As unhas dos seus cavalos são como pederneira, e as rodas dos seus carros têm a rapidez do furacão. 29 O seu rugido é de leão, o seu rugido é dum cachorro de leão, que solta bramidos e se arroja à presa e a leva, sem haver quem lha arrebate. 30 Soará naquele dia um bramido contra o povo, como o bramido do mar. Olhar-se-á para a terra, e eis que tudo serão trevas de angústia e a luz desaparecerá nessa profunda escuridão.Citado em 26
- Este capítulo Summa (EN)(I-II 55.3)Dives In Misericordia(§4)Miserentissimus Redemptor(§10)
- v. 1 CCC(¶755)Christifideles Laici(§8
§25) Laborem Exercens(§26)Lumen Gentium(§6) - v. 2 CCC(¶755)Christifideles Laici(§8
§25) Laborem Exercens(§26) - v. 3 CCC(¶755)
- v. 4 CCC(¶755)
- v. 5 CCC(¶755)Summa (EN)(I 113.6)
- v. 6 CCC(¶755)
- v. 7 CCC(¶755)
- v. 20 Summa (EN)(I 5.3
I 48.3 Editae Saepe(§9)Evangelium Vitae(§24II-II 115.2) §58) Sapientiae Christianae(§39)Veritatis Splendor(§93)