São Lucas 22
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Paixão
Conspiração do Sinédrio.
1 Aproximava-se a festa dos ázimos, chamada Páscoa. 2 Os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuravam modo de matar Jesus; porém temiam o povo. 3 Ora Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos doze, 4 o qual foi combinar com os príncipes dos sacerdotes e com os oficiais de que modo lho entregaria. 5 Eles ficaram contentes, e combinaram com ele dar-lhe dinheiro. 6 Judas deu a sua palavra, e buscava ocasião oportuna de lho entregar sem tumulto.Preparação da última ceia.
7 Chegou o dia dos ázimos, no qual se devia imolar a Páscoa. 8 Jesus enviou Pedro e João, dizendo: "Ide, preparai-nos a refeição pascal." 9 Eles perguntaram: "Onde queres que a preparemos?" 10 Ele disse-lhes: "Logo que entrardes na cidade, sair-vos-á ao encontro um homem levando uma bilha de água; segui-o até à casa em que entrar; 11 e direis ao dono da casa: O Mestre manda-te dizer: Onde está o aposento em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos? 12 Ele vos mostrará uma grande sala toda ornada; preparai aí o que for preciso." 13 Indo eles, encontraram tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa.Instituição da Eucaristia.
14 Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa com os Apóstolos, e 15 disse-lhes: "Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer, 16 porque vos digo que não mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus." 17 Tendo tomado o cálice, deu graças, e disse: "Tomai e distribuí-o entre vós, 18 porque vos declaro que não tornarei a beber do fruto da vide, até que chegue o reino de Deus." 19 Depois tomou o pão, deu graças, partiu, e deu-lho, dizendo: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. É dado... É derramado...Estes verbos empregados no presente, de acordo com o texto grego, justificam o argumento teológico a favor do carácter sacrifical da última ceia. Por lapso, em S. Mateus (Mt. 26,28) e S. Marcos (Mc. 14,24) emprega-se o futuro na nossa tradução. 20 Tomou da mesma sorte o cálice, depois de cear, dizendo: "Este cálice é a nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós.Jesus revela o traidor.
21 Entretanto, eis que a mão de quem me há-de entregar está à mesa comigo. 22 Na verdade, o Filho do homem vai, segundo o que está decretado, mas, ai daquele homem, por quem será entregue!" 23 Eles começaram a perguntar entre si qual deles seria o que haveria de fazer tal coisa.Últimos avisos.
24 Levantou-se também entre eles uma contenda sobre qual deles se devia considerar o maior. 25 Jesus, porém, disse-lhes: "Os reis das nações dominam sobre elas, e os que têm autoridade sobre elas chamam-se benfeitores. 26 Não assim entre vós, mas o que entre vós é o maior, faça-se como mais pequeno, e o que governa, seja como o que serve. 27 Porque, qual é maior, o que está à mesa, ou o que serve? Não é maior o que está sentado à mesa? Pois eu estou no meio de vós como um que serve. 28 Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tribulações. 29 Por isso eu preparo o reino para vós, como meu Pai o preparou para mim, 30 para que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis sobre tronos a julgar as doze tribos de Israel. 31 Simão, Simão, eis que Satanás vos busca com instância para vos joeirar como trigo; 32 mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, conforta os teus irmãos." 33 Pedro disse-lhe: "Senhor, eu estou pronto a ir contigo para a prisão e para a morte." 34 Jesus, porém, disse-lhe: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo, sem que tu, por três vezes, me tenhas negado que me conheces." Depois disse-lhes: 35 "Quando eu vos mandei sem bolsa, sem alforge, sem sandálias, faltou-vos porventura alguma coisa?" 36 Eles responderam: "Nada." Disse-lhes, pois: "Mas agora quem tem bolsa, tome-a, e também alforge, quem não tem espada venda o seu manto, e compre uma Com estas palavras alegóricas Jesus não aconselha os Apóstolos que resistam aos seus inimigos com a força, mas sòmente lhes quer mostrar a intensidade das perseguições que os esperam.. 37 Porque vos digo que é necessário que se cumpra em mim isto que está escrito: Foi posto entre os malfeitores ( Is 53, 12 ). Porque as coisas que me dizem respeito estão perto do seu cumprimento." 38 Eles responderam; "Senhor, eis aqui duas espadas." Jesus disse-lhes: "Basta Não falemos mais.."Agonia de Jesus em Getsemani.
39 Tendo saído, foi, segundo o seu costume, para o monte das Oliveiras. Seus discípulos o seguiram. 40 Quando chegou àquele lugar, disse-lhes: "Orai, para não cairdes em tentação." 41 Afastou-se deles a distância de um tiro de pedra; e, posto de joelhos, orava, 42 dizendo: "Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice; não se faça, contudo, a minha vontade, mas a tua."Jesus é preso no horto.
47 Estando ele ainda falando, eis que chega um tropel de gente. Aquele que se chamava Judas, um dos doze, vinha à frente. Aproximou-se de Jesus para o abraçar. 48 Jesus disse-lhe: "Judas! com um beijo entregas o Filho do homem?" 49 Os que estavam com Jesus, vendo o que ia acontecer, disseram-lhe: "Senhor, se os feríssemos à espada?" 50 E um deles feriu um servo do Sumo Pontífice, e cortou-lhe a orelha direita. 51 Mas Jesus, tomando a palavra, disse: "Deixai, basta." E, tendo-lhe tocado a orelha, o sarou. 52 Disse depois Jesus aos príncipes dos sacerdotes, aos oficiais do templo, e aos anciães que tinham vindo contra ele: "Viestes armados de espadas e de varapaus como contra um ladrão. 53 Quando eu estava todos os dias convosco no templo, nunca estendestes a mão contra mim; porém, esta é a vossa hora, e o poder das trevas."Pedro, nega Jesus três vezes.
54 Prendendo-o, levaram-no a casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe. 55 Tendo acendido fogo no meio do pátio, e, sentando-se em roda, estava também Pedro sentado no meio deles. 56 Uma criada, vendo-o sentado ao lume, e fixando-o bem, disse: "Este estava também com ele." 57 Mas Pedro o negou, dizendo: "Mulher, eu não o conheço." 58 Daí a pouco, vendo-o outro, disse-lhe: "Tu também és um deles." Pedro disse: " Ó homem, não sou." 59 Passado o intervalo quase de uma hora, um outro dizia com insistência: "Certamente que este também estava com ele, pois é galileu." 60 Pedro respondeu: "Ó homem, não sei o que dizes." Imediatamente, quando ele ainda falava, o galo cantou; 61 e, tendo-se voltado, o Senhor olhou para Pedro. Pedro então lembrou-se da palavra que lhe tinha sido dita pelo Senhor: "Antes que o galo cante, me negarás três vezes."Jesus é escarnecido.
62 E, tendo saído para fora, chorou amargamente. 63 Os homens, que guardavam Jesus, escarneciam dele e feriam-no. 64 Vendaram-lhe os olhos, e interrogavam-no: "Adivinha, quem é que te deu?" 65 E proferiam muitas outras injúrias contra ele.Jesus em presença do Sinédrio.
66 Quando foi dia, juntaram-se os anciães do povo, os príncipes dos sacerdotes, e os escribas. Levaram-no ao seu tribunal, e disseram-lhe: "Se tu és o Cristo, dize-no-lo." 67 Ele respondeu-lhes: "Se eu vo-lo disser, não me acreditareis; 68 também se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis, nem me dareis liberdade. 69 Mas, no futuro, estará sentado o Filho do homem à direita do poder de Deus." 70 Então disseram todos: "Logo tu és o Filho de Deus?" Ele respondeu: "Vós o dizeis, eu o sou." 71 Então eles disseram: "Que mais testemunho nos é necessário? Nós mesmos o ouvimos da sua boca."Citado em 258
- Este capítulo Aeterna Dei Sapientia(§49)Haurietis Aquas(§67)Pastores Dabo Vobis(§1)
- v. 1 Sollicitudo Rei Socialis(§26)
- v. 3 Ad Catholici Sacerdotii(§35)Apostolos Suos(§1)
- v. 7 CCC(¶1151
¶1339) Summa (EN)(III 46.9III 74.4) - v. 8 CCC(¶1151
¶1339) Summa (EN)(III 46.9) - v. 9 CCC(¶1151
¶1339) - v. 10 CCC(¶1151
¶1339) - v. 11 CCC(¶1151
¶1339) Summa (EN)(III 83.3) - v. 12 CCC(¶1151
¶1339) Summa (EN)(III 83.3)Ecclesia de Eucharistia(§47) - v. 13 CCC(¶1151
¶1339) - v. 14 CCC(¶1151
¶1339 Ecclesia de Eucharistia(§21)Sacramentum Caritatis(§8)¶2804) - v. 15 CCC(¶607
¶1130 Summa (EN)(III 81.1)Haurietis Aquas(§35¶1151 ¶1339 ¶2804) §70) Sacramentum Caritatis(§8) - v. 16 CCC(¶1130
¶1151 Sacramentum Caritatis(§8)¶1339) - v. 17 CCC(¶1151
¶1339) Sacramentum Caritatis(§8) - v. 18 CCC(¶1151
¶1339 Dominicae Cenae(§3)Sacramentum Caritatis(§8)¶1403) - v. 19 CCC(¶610
¶611 Compêndio(120¶621 ¶1151 ¶1328 ¶1339 ¶1365 ¶1376 ¶1381) 280) Summa (EN)(I-II 107.1III 72.3 Ad Catholici Sacerdotii(§8III 73.5 III 75.1 III 78.3 III 79.1 III 80.11 III 82.1 Suppl 37.5) §13) Dominicae Cenae(§3)Ecclesia de Eucharistia(§2§12 Evangelii Gaudium(§13)Haurietis Aquas(§35§21 §54 §56 §57) §70) Mulieris Dignitatem(§26)Mysterium Fidei(§4§18 Pastores Dabo Vobis(§1)Sacramentum Caritatis(§8§28) §11 §23) - v. 20 CCC(¶612
¶1151 Compêndio(120¶1339 ¶1365) 280) Summa (EN)(III 72.3III 78.3 Amoris Laetitia(§318)Dei Verbum(§16)Dominicae Cenae(§3)Ecclesia de Eucharistia(§2III 79.7 III 80.8) §12 Haurietis Aquas(§35§13) §70) Mulieris Dignitatem(§26)Mysterium Fidei(§4§28) Sacramentum Caritatis(§8§9) Sollicitudo Rei Socialis(§26)Verbum Domini(§12) - v. 21 Ecclesia de Eucharistia(§2)
- v. 24 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(379)Summa (EN)(II-II 38.1)
- v. 25 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(193
379) Sollicitudo Rei Socialis(§38) - v. 26 CCC(¶894)Compêndio da Doutrina Social da Igreja(193
379) Christus Dominus(§16)Christus Vivit(§14)Evangelica Testificatio(§24)Lumen Gentium(§27)Pastores Gregis(§42§43) Sollicitudo Rei Socialis(§38) - v. 27 CCC(¶894
¶1570) Compêndio da Doutrina Social da Igreja(193379) Summa (EN)(I 112.1)Christus Dominus(§16)Evangelica Testificatio(§24)Lumen Gentium(§27)Pastores Gregis(§42§43) Sollicitudo Rei Socialis(§38)Ut Unum Sint(§88) - v. 28 CCC(¶787)
- v. 29 CCC(¶551
¶787) - v. 30 CCC(¶551
¶765 Summa (EN)(I-II 4.7)Sollicitudo Rei Socialis(§26)¶787) - v. 31 CCC(¶641
¶643) Perguntas(O Papa)Aeterna Dei Sapientia(§21)Ut Unum Sint(§91) - v. 32 CCC(¶162
¶552 Summa (EN)(II-II 1.10¶641 ¶643 ¶2600) II-II 2.6 Perguntas(O Papa)Ad Petri Cathedram(§39Suppl 25.1 Suppl 40.6) §73) Aeterna Dei Sapientia(§21)Ecclesia In Africa(§7)Ecclesia In America(§33§34) Ecclesia In Asia(§3)Ecclesia In Oceania(§11)Evangelica Testificatio(§6)Evangelii Nuntiandi(§1)Fidei Depositum(§4)Gaudete In Domino(§69)Immortale Dei(§5§9 Lumen Ecclesiae(§9)Lumen Fidei(§4§15) §5) Lumen Gentium(§25)Mit Brennender Sorge(§1§8) Mortalium Animos(§8)Munificentissimus Deus(§19)Mystici Corporis Christi(§46§98 Ordinatio Sacerdotalis(§4)Orientale Lumen(§20)Orientales Ecclesias(§11)Pastor Bonus(§2)Principi Apostolorum Petro(§1)Redemptionis Donum(§14)Redemptor Hominis(§7)Satis Cognitum(§31)Unitatis Redintegratio(§2)Ut Unum Sint(§4§100) §91) Veritatis Splendor(§115) - v. 33 Summa (EN)(III 46.11)
- v. 35 Summa (EN)(I-II 108.2)Perguntas(A legítima defesa)
- v. 36 Summa (EN)(I-II 108.2)Perguntas(A legítima defesa)
- v. 37 Perguntas(A legítima defesa)
- v. 38 CCC(¶1403)Perguntas(A legítima defesa)
- v. 39 Pastores Dabo Vobis(§42)
- v. 40 CCC(¶2612)Pastores Dabo Vobis(§42)
- v. 41 CCC(¶2600)Perguntas(Quando a oração não é atendida)Pastores Dabo Vobis(§42)
- v. 42 CCC(¶532
¶2600 Summa (EN)(III 18.1¶2605 ¶2824) III 46.11) Perguntas(Quando a oração não é atendida)Pastores Dabo Vobis(§42)Redemptionis Donum(§13)Rosarium Virginis Mariae(§22) - v. 43 CCC(¶333
¶2600) Summa (EN)(III 12.4III 18.6) Perguntas(Quando a oração não é atendida)Dilexit Nos(§153)Miserentissimus Redemptor(§10)Octobri Mense(§10)Pastores Dabo Vobis(§42) - v. 44 CCC(¶702
¶2600) Orações Comuns(Rosário)Perguntas(Quando a oração não é atendida)Ecclesia de Eucharistia(§3)Octobri Mense(§3)Pastores Dabo Vobis(§42) - v. 45 Pastores Dabo Vobis(§42)
- v. 46 CCC(¶2612)
- v. 47 Apostolos Suos(§1)
- v. 48 Haurietis Aquas(§19
§32) Sacerdotalis Caelibatus(§94) - v. 53 Dominum Et Vivificantem(§38)Summi Pontificatus(§72
§73) - v. 61 CCC(¶1429)
- v. 62 CCC(¶1429)
- v. 70 CCC(¶443)