São Marcos 14
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Paixão de Jesus
Conspiração do Sinédrio.
1 Dali a dois dias era a Páscoa e os ázimos; os príncipes dos sacerdotes e os escribas andavam buscando modo de o prender por traição, para o matar. 2 Porém, diziam: "Não convém que isto se faça no dia da festa, para que se não levante nenhum motim entre o povo."Avareza de Judas.
3 Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão o leproso, enquanto estava à mesa, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro cheio de um bálsamo feito de verdadeiro nardo de um grande valor, e, quebrado o vaso, derramou-lho sobre a cabeça. 4 Alguns dos que estavam presentes indignaram-se, e diziam entre si: "Para que foi este desperdício de bálsamo? 5 Pois podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-los aos pobres. E irritavam-se contra ela. 6 Mas Jesus disse: "Deixai-a. Porque a molestais? Ela fez-me uma boa obra, 7 porque vós tereis sempre convosco pobres, e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; porém, a mim, não me tendes sempre. 8 Ela fez o que podia: embalsamou com antecipação o meu corpo para a sepultura. 9 Em verdade vos digo: Onde quer que for pregado este Evangelho por todo o mundo, será também contado, para sua memória, o que ela fez."Jesus é vendido.
10 Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, para lhes entregar Jesus. 11 Eles, ouvindo-o, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava ocasião oportuna para o entregar.Preparação da última ceia.
12 No primeiro dia dos ázimos, quando imolavam a Páscoa, os discípulos lhe disseram: "Onde queres que vamos preparar-te a refeição da Páscoa?" 13 Então ele enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: "Ide à cidade, e encontrareis um homem levando uma bilha de água; ide atrás dele, 14 e, onde entrar, dizei ao dono da casa: o Mestre diz: Onde está a minha sala em que eu hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos? 15 E ele vos mostrará uma sala superior, grande, mobilada e posta em ordem. Preparai-me lá o que é preciso." 16 Os discípulos partiram, chegaram à cidade, encontraram tudo como ele lhes tinha dito, e prepararam a Páscoa. 17 Chegada a tarde, foi Jesus com os doze.Jesus revela o traidor.
18 Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: "Em verdade vos digo que um de vós, que come comigo, me há-de entregar. 19 Então começaram a entristecer-se, e a dizer-lhe cada um de per si: Sou porventura eu? 20 Ele disse-lhes: É um dos doze que se serve comigo no mesmo prato. 21 O Filho do homem vai, segundo está escrito dele, mas, ai daquele homem por quem for entregue o Filho do homem! Melhor fora a esse homem não ter nascido."Instituição da Eucaristia.
22 Enquanto comiam, Jesus tomou pão e, depois de o benzer, partiu-o, deu-lho e disse: "Tomai, isto é o meu corpo." 23 Em seguida, tendo tomado o cálice, dando graças, deu-lho, e todos beberam dele. 24 E disse-lhes: "Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que será derramado por muitos. 25 Em verdade vos digo que não beberei mais desse fruto da vide, até àquele dia em que o beberei novo no reino de Deus." 26 Cantados os salmos, foram para o monte das Oliveiras,Escândalo dos discípulos.
27 Então, Jesus, disse-lhes: "Todos vos escandalizareis, pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão ( Zc 3, 7 ). 28 Mas, depois que eu ressuscitar, preceder-vos-ei na Galileia." 29 Pedro, porém, disse-lhe: "Ainda que todos se escandalizem a teu respeito, eu não." 30 Jesus disse-lhe: "Em verdade te digo que hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante a segunda vez, me negarás três vezes." 31 Porém, ele, insistia ainda mais: "Ainda que me seja preciso morrer contigo, não te negarei." E todos diziam o mesmo.Oração de Jesus em Getsemani.
32 Chegando a uma herdade, chamada Getsemani, Jesus disse a seus discípulos: "Sentai-vos aqui enquanto vou orar." 33 Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a sentir pavor e angústia. 34 E disse-lhes: "A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui, e vigiai." 35 Tendo-se adiantado um pouco, prostrou-se por terra, e pedia que, se era possível, se afastasse dele aquela hora. 36 Dizia: "Abba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; porém, não se faça o que eu quero, mas o que tu queres." Abba, palavra aramaica, que significa pai. 37 Depois voltou, e encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: "Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? 38 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espirito na verdade está pronto, mas a carne é fraca." 39 Tendo-se retirado novamente, pôs-se a orar, repetindo as mesmas palavras. 40 Voltando, encontrou-os outra vez a dormir, porque tinham os olhos pesados. Não sabiam que responder-lhe. 41 Voltou terceira vez, e disse-lhes: "Dormi agora e descansai. Basta, é chegada a hora; eis que o Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 42 Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima o que me há-de entregar."Jesus é preso no horto.
43 Ainda falava, quando chega Judas Iscariotes, um dos doze, e com ele muita gente armada de espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes, pelos escribas e pelos anciães.Jesus em presença do Sinédrio.
53 Levaram Jesus ao sumo sacerdote, e juntaram-se todos os príncipes dos sacerdotes, os anciães e os escribas, 54 Pedro foi-o seguindo de longe, até dentro do pátio do sumo sacerdote. Estava sentado ao fogo com os criados, e aquecia-se. 55 Os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o fazerem morrer, e não o encontravam, 56 Porque muitos depunham falsamente contra ele, mas não concordavam os seus depoimentos. 57 Levantando-se uns certos, depunham falsamente contra ele, dizendo: 58 "Nós ouvimos-lhe dizer: Destruirei este templo, feito pela mão do homem, e em três dias edificarei outro, que não será feito pela mão do homem." 59 Porém nem este seu testemunho era concorde. 60 Então, levantando-se no meio da assembleia o sumo sacerdote, interrogou Jesus, dizendo: "Não respondes nada? O que é que estes depõem contra ti?" 61 Ele, porém, estava em silêncio, e nada respondeu. Interrogou-o de novo o sumo sacerdote, e disse-lhe: "És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?" 62 Jesus respondeu: "Eu o sou, e vereis o Filho do homem sentado á direita do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu ( Sl 109, 1 ; Dn 7, 13 )." 63 Então o sumo sacerdote, rasgando os seus vestidos, disse: "Que necessidade temos de mais testemunhas? 64 Ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?" E todos o condenaram como réu de morte. 65 Então começaram alguns a cuspir-lhe, a velar-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, dizendo-lhe: "Profetiza!" Os criados receberam-no a bofetadas.Pedro nega Jesus três vezes.
66 Entretanto, estando Pedro em baixo no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote. 67 Vendo Pedro, que se aquecia, encarando nele, disse: "Tu também estavas com Jesus Nazareno." 68 Mas ele negou: "Não sei, nem compreendo o que dizes." E saiu fora para a entrada do pátio, e o galo cantou. 69 Tendo-o visto a criada, começou novamente a dizer aos que estavam presentes: "Este é daqueles." 70 Mas ele o negou de novo. Pouco depois, os que ali estavam diziam de novo a Pedro: "Verdadeiramente tu és um deles, porque és galileu." 71 Ele começou a fazer imprecações e a jurar: "Não conheço esse homem de quem falais." 72 Imediatamente cantou o galo segunda vez. Pedro recordou-se da palavra que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes." E começou a chorar.Citado em 99
- v. 1 CCC(¶574)
- v. 3 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Perguntas(A riqueza da Igreja)
- v. 4 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Perguntas(A riqueza da Igreja)Ecclesia de Eucharistia(§47)
- v. 5 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Perguntas(A riqueza da Igreja)
- v. 6 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Perguntas(A riqueza da Igreja)
- v. 7 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Perguntas(A riqueza da Igreja)Ecclesia de Eucharistia(§47)
- v. 8 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Perguntas(A riqueza da Igreja)
- v. 9 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Perguntas(A riqueza da Igreja)
- v. 10 Ad Catholici Sacerdotii(§35)Apostolos Suos(§1)
- v. 12 CCC(¶1339)Summa (EN)(III 46.9
III 74.4) - v. 13 CCC(¶1339)
- v. 14 CCC(¶1339)
- v. 15 CCC(¶1339)Ecclesia de Eucharistia(§47)Ecclesia In Asia(§11)
- v. 16 CCC(¶1339)
- v. 17 CCC(¶1339)Ecclesia de Eucharistia(§21)
- v. 18 CCC(¶474
¶1339) - v. 19 CCC(¶474
¶1339) - v. 20 CCC(¶474
¶1339) Apostolos Suos(§1) - v. 21 CCC(¶1339)
- v. 22 CCC(¶1328
¶1339 Dominicae Cenae(§3)Mysterium Fidei(§4¶1376) §28) - v. 23 CCC(¶1339)Dominicae Cenae(§3)Mediator Dei(§65
§72 Mysterium Fidei(§4§91) §28) - v. 24 CCC(¶1339)Dominicae Cenae(§3)Ecclesia de Eucharistia(§2
§13) Mysterium Fidei(§4§28) Sacramentum Caritatis(§9)Verbum Domini(§12) - v. 25 CCC(¶1335
¶1339 Dominicae Cenae(§3)¶1403) - v. 26 CCC(¶474)Ecclesia de Eucharistia(§47)
- v. 27 CCC(¶474)Orientales Ecclesias(§16)
- v. 28 CCC(¶474)Summa (EN)(III 51.2)
- v. 29 CCC(¶474)
- v. 30 CCC(¶474)
- v. 32 Perguntas(Querer morrer)
- v. 33 CCC(¶1009)Summa (EN)(II-II 19.2
III 15.7) Perguntas(Querer morrer)Dilexit Nos(§45) - v. 34 CCC(¶1009)Perguntas(Querer morrer)Dilexit Nos(§45)
- v. 35 Perguntas(Querer morrer)
- v. 36 CCC(¶473
¶2701) Perguntas(Querer morrer)Dilexit Nos(§73)Mulieris Dignitatem(§8)Novo Millennio Ineunte(§25)Redemptionis Donum(§13)Redemptoris Missio(§13) - v. 38 CCC(¶2849)Menti Nostrae(§23)
- v. 43 Apostolos Suos(§1)
- v. 51 Christus Vivit(§32)
- v. 52 Christus Vivit(§32)
- v. 56 Ecclesia In Asia(§11)
- v. 57 CCC(¶585)
- v. 58 CCC(¶585)
- v. 61 CCC(¶443)
- v. 62 CCC(¶443)