São Mateus 26
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
VIDA DOLOROSA DE JESUS
Jesus prediz a sua morte.
1 Aconteceu que, tendo Jesus acabado todos estes discursos, disse aos seus discípulos: 2 "Vós sabeis que daqui a dois dias será celebrada a Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado."Reunião do Sinédrio.
3 Então se reuniram os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo no palácio do sumo pontífice, que se chamava Caifás, 4 e tiveram conselho acerca dos meios de prenderem a Jesus por astúcia, e de o matarem. 5 Mas eles diziam: Não (se faça isto) no dia da festa, não suceda levantar-se algum tumulto entre o povo.Refeição de Betãnia.
6 Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão o leproso, 7 aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, cheio de um bálsamo precioso, e o derramou sobre a cabeça dele, estando à mesa. 8 Vendo isto, os discípulos indignaram-se Nem todos os discípulos se indignaram, mas sòmente alguns, e, de um modo especial, Judas., dizendo: "Para que foi este desperdício? 9 Porque este bálsamo podia vender-se por bom preço, e dar-se aos pobres." 10 Jesus, sabendo isto, disse-lhes: "Porque molestais esta mulher? Ela fez-me verdadeiramente uma boa obra. 11 Porque vós tereis sempre convosco pobres; mas a mim nem sempre me tereis. 12 Derramando ela este bálsamo sobre o meu corpo, fê-lo como para me sepultar. 13 Em verdade vos digo que em toda a parte onde for pregado este Evangelho — em todo o mundo—, publicar-se-á também para sua memória o que ela fez."Judas vende Jesus.
14 Então um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, 15 e disse-lhes: "Que me quereis vós dar, e eu vo-lo entregarei?" Justaram trinta moedas de prata O preço de um escravo.. 16 Desde então buscava oportunidade para o entregar.Jesus manda preparar a última ceia.
17 No primeiro dia dos ázimos aproximaram-se de Jesus os discípulos, dizendo: "Onde queres que te preparemos o que é preciso para comer a Páscoa?" 18 Jesus disse: "Ide à cidade, a casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo, quero celebrar a Páscoa em tua casa com meus discípulos." 19 Os discípulos fizeram como Jesus tinha ordenado, e prepararam a Páscoa.Jesus indica o traidor.
20 Chegada a tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze. 21 Enquanto comiam, disse-lhes: "Em verdade vos digo que um de vós me há-de entregar." 22 Eles, muito tristes, cada um começou a dizer: "Porventura sou eu, Senhor?" 23 Ele respondeu; "O que mete comigo a mão no prato esse me entregará. 24 O Filho do homem vai certamente, como está escrito dele, mas ai daquele homem, por quem será entregue o Filho do homem! Melhor fora a tal homem que não tivesse nascido." 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e disse: "Sou eu, porventura, Mestre?" Jesus respondeu-lhe; "Tu o disseste."Instituição da Eucaristia.
26 Enquanto comiam, Jesus tomou pão e o benzeu, e o partiu, e deu-o a seus discípulos, dizendo: "Tomai e comei, isto é o meu corpo." 27 Depois, tomando um cálice, deu graças, e deu-lho, dizendo: "Bebei dele todos. 28 Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que será derramado por muitos para remissão dos pecados. A antiga aliança tinha sido selada com sangue de animais sacrificados; a nova é selada com o sangue de Cristo (Hb. 9, 13). 29 Digo-vos: desta hora em diante não beberei Não beberei...Com estas palavras Jesus não se refere ao cálice consagrado, mas ao vinho comum, prometendo-lhes que no céu serão inebriados com abundância de consolações. mais deste fruto da videira até aquele dia, em que o beberei novo convosco no reino de meu Pai."Saindo Jesus, prediz o abandono dos discípulos.
30 Depois do canto dos salmos, saíram para o monte das Oliveiras. 31 Então Jesus disse-lhes: "A todos vós serei esta noite uma ocasião de escândalo porque está escrito ( Zc 13, 7 ): Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão. 32 Porém, depois que eu ressuscitar, irei diante de vós para a Galielia." 33 Pedro respondeu-lhe: "Ainda que todos se escandalizem a teu respeito, eu nunca me escandalizarei." 34 Jesus disse-lhe: "Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante, me negarás três vezes." 35 Pedro disse-lhe: "Ainda que eu tenha de morrer contigo, não te negarei." Do mesmo modo falaram todos os discípulos.Em Getsemani.
36 Então foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsemani Isto é, lagar de azeite. Era sem dúvida um pequeno campo plantado de oliveiras, com um rústico lagar de azeite, como havia e há alada muitos na Palestina (Lagrange)., e disse-lhes: "Sentai-vos aqui, enquanto eu vou acolá orar." 37 E, tendo tomado consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e angustiar-se. 38 Disse-lhes então: "A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai comigo."Entrega e prisão de Jesus.
47 Estando ele ainda a falar, eis que chega Judas, um dos doze, e com ele uma grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48 O traidor tinha-lhes dado este sinal: "Aquele a quem eu der um ósculo, é esse; prendrei-o." 49 Aproximando-se logo de Jesus, disse: "Salve Mestre." E deu-lhe um ósculo. 50 Jesus disse-lhe: "Amigo, a que vieste!" Então avançaram, lançaram mão de Jesus, e prenderam-no. 51 E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, desembainhou a sua espada, e, ferindo um servo do sumo pontífice, lhe cortou uma orelha. 52 Jesus disse-lhe: "Mete a tua espada no seu lugar, porque todos os que tomarem espada Por autoridade própria, para exercerem vingança, merecem morrer à espada. (por autoridade própria), morrerão à espada. 53 Julgas porventura que eu não posso rogar a meu Pai, e que ele me não porá aqui logo mais de doze legiões de anjos? 54 Como, pois, se cumprirão as Escrituras segundo as quais assim deve suceder?" 55 Depois, Jesus disse à multidão: "Vós viestes armados de espadas e de varapaus para me prender, como se faz a um salteador. Todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo, e não me prendestes. 56 Mas tudo isto aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas." Então todos os discípulos o abandonaram e fugiram.Em casa de Caifás.
57 Os que tinham prendido Jesus Ievaram-no a casa de Caifás, sumo sacerdote, onde se tinham reunido os escribas e os anciãos. 58 Pedro seguia-o de longe, até ao átrio do príncipe dos sacerdotes. E, tendo entrado, sentou-se com os servos para ver o fim de tudo isto. 59 Entretanto os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam algum falso testemunho contra Jesus, a fim de o entregarem à morte, 60 e não o encontravam, posto que se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas. Por último, chegaram duas testemunhas, 61 que declararam: "Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias." 62 Levantando-se, o príncipe dos sacerdotes disse-lhe: "Nada respondes ao que estes depõem contra ti?" 63 Jesus, porém, estava calado. E o sumo sacerdote disse-lhe: "Eu te conjuro por Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus." 64 Jesus respondeu-lhe: "Tu o disseste. Digo-vos mais que vereis depois o Filho do homem sentado à direita do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu." Jesus declara que é Deus e que será o juiz supremo de toda a humanidade. 65 Então o sumo sacerdote rasgou os seus vestidos, dizendo: "Blasfemou; que necessidade temos de mais testemunhas? Eis acabais de ouvir a blasfêmia. 66 Que vos parece?" Eles responderam: "É réu de morte." 67 Então cuspiram-lhe no rosto, e feriram-no a punhadas. Outros deram-lhe bofetadas, 68 dizendo: "Profetiza, Cristo! Diz-nos quem é que te feriu."Negação de Pedro.
69 Entretanto Pedro estava sentado fora no átrio. Aproximou-se dele uma criada, dizendo: "Tu também estavas com Jesus, o Galileu." 70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: "Não sei o que dizes." 71 Saindo ele à porta, viu-o outra criada, e disse para os que ali se encontravam: "Este também andava com Jesus Nazareno." 72 Novamente ele negou com juramento, dizendo: "Não conheço tal homem." 73 Pouco depois aproximaram-se de Pedro os que ali estavam, e disseram: "Tu certamente és também dos tais, porque até o teu modo de falar te dá a conhecer." 74 Então começou a fazer imprecações e a jurar que não conhecia tal homem. Imediatamente o galo cantou. 75 Pedro lembrou-se da palavra que lhe tinha dito Jesus: "Antes de cantar o galo, três vezes me negarás." E, tendo saído para fora, chorou amargamente.Citado em 187
- Este capítulo Summa (EN)(III 73.5
III 74.1) Ecclesiam Suam(§21) - v. 1 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)
- v. 6 Mulieris Dignitatem(§15)
- v. 7 Mulieris Dignitatem(§15)
- v. 8 Dilexi Te(§4)Ecclesia de Eucharistia(§47)Mulieris Dignitatem(§15)
- v. 9 Dilexi Te(§4)Mulieris Dignitatem(§15)
- v. 10 Summa (EN)(III 51.1)Mulieris Dignitatem(§15)
- v. 11 Compêndio da Doutrina Social da Igreja(183)Summa (EN)(III 75.1)Dilexi Te(§4
§5) Ecclesia de Eucharistia(§47)Mulieris Dignitatem(§15) - v. 12 Summa (EN)(III 51.1)Mulieris Dignitatem(§15)
- v. 13 Dilexi Te(§4)Mulieris Dignitatem(§15)
- v. 14 Ad Catholici Sacerdotii(§35)Apostolos Suos(§1)
- v. 17 CCC(¶1339)Summa (EN)(III 74.4
III 81.2) - v. 18 CCC(¶1339)Catechesi Tradendae(§8)
- v. 19 CCC(¶1339)
- v. 20 CCC(¶610
¶1339) Ecclesia de Eucharistia(§21) - v. 21 CCC(¶1339)
- v. 22 CCC(¶1339)
- v. 23 CCC(¶1339)
- v. 24 CCC(¶1339)Summa (EN)(I 5.2
Suppl 98.3) - v. 25 CCC(¶1339)
- v. 26 CCC(¶1328
¶1329 Summa (EN)(III 60.7¶1339 ¶1376) III 72.3 Orações Comuns(Rosário)Perguntas(A Eucaristia)Dominicae Cenae(§3)Ecclesia de Eucharistia(§2III 78.1 III 78.2 Suppl 37.5) §12 Mysterium Fidei(§4§21) §28) - v. 27 CCC(¶1339)Summa (EN)(III 21.3
III 72.3) Perguntas(A Eucaristia)Dominicae Cenae(§3)Ecclesia de Eucharistia(§21)Haurietis Aquas(§49)Mysterium Fidei(§4§28 §50) - v. 28 CCC(¶545
¶610 Compêndio(120)Summa (EN)(III 79.1¶613 ¶1339 ¶1365 ¶1846 ¶2839) III 79.7) Perguntas(A Eucaristia)Dominicae Cenae(§3)Ecclesia de Eucharistia(§12§13 Evangelium Vitae(§25)Mysterium Fidei(§4§16 §21) §28) Mystici Corporis Christi(§12§28 Sacramentum Caritatis(§9)Verbum Domini(§12)§29) - v. 29 CCC(¶1339
¶1403) Summa (EN)(III 74.5III 81.2) Mysterium Fidei(§28) - v. 30 Summa (EN)(III 83.4)Ecclesia de Eucharistia(§47)Misericordiae Vultus(§7)
- v. 31 CCC(¶764)Meminisse Iuvat(§7
§11) Orientales Ecclesias(§16) - v. 32 Summa (EN)(III 55.3)
- v. 35 Summa (EN)(III 46.11)
- v. 36 CCC(¶2849)Orações Comuns(Rosário)
- v. 37 CCC(¶2849)Summa (EN)(III 15.4
III 15.6 Orações Comuns(Rosário)Haurietis Aquas(§13)III 15.7 III 46.7) - v. 38 CCC(¶363
¶2849) Summa (EN)(I-II 59.3III 5.3 Orações Comuns(Rosário)III 15.6) - v. 39 CCC(¶536
¶612 Summa (EN)(I-II 19.9¶2849) III 18.5 Orações Comuns(Rosário)Haurietis Aquas(§32III 21.2 III 21.3 III 21.4 III 78.3) §67) Salvifici Doloris(§18) - v. 40 CCC(¶2719
¶2849) Ecclesia de Eucharistia(§4) - v. 41 CCC(¶2719
¶2733 Ecclesia de Eucharistia(§4)Ecclesiam Suam(§8¶2846 ¶2849) §21 Sacra Virginitas(§49§22) §52) - v. 42 CCC(¶612
¶2849) Summa (EN)(III 46.2III 47.2) Redemptionis Donum(§13)Salvifici Doloris(§18) - v. 43 CCC(¶2849)
- v. 44 CCC(¶2849)
- v. 46 Veritatis Splendor(§87)
- v. 50 Haurietis Aquas(§32
§67) - v. 51 Perguntas(O passado da Igreja
A legítima defesa) Dignitatis Humanae(§11) - v. 52 CCC(¶2262)Summa (EN)(II-II 40.1)Perguntas(O passado da Igreja
A legítima defesa) Dignitatis Humanae(§11)Fratelli Tutti(§270)Salvifici Doloris(§16) - v. 53 CCC(¶333
¶609) Summa (EN)(I 25.5)Perguntas(A legítima defesa)Dignitatis Humanae(§11) - v. 54 CCC(¶600)Perguntas(A legítima defesa)Salvifici Doloris(§16)
- v. 55 Catechesi Tradendae(§7)
- v. 57 CCC(¶2262)
- v. 63 Summa (EN)(II-II 90.1)
- v. 64 CCC(¶443
¶591) Miserentissimus Redemptor(§14) - v. 65 CCC(¶591)
- v. 66 CCC(¶591
¶596) - v. 75 Ecclesiam Suam(§8
§22)