Números 22
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
QUINTA PARTE
Nas planícies de Moab
Balac manda chamar Balaão para amaldiçoar Israel.
1 Tendo partido, acamparam nas planícies de Moab, aonde está situada Jericó além do Jordão. 2 Mas Balac, filho de Sefor, vendo tudo o que Israel tinha feito ao Amorreu, 3 e que os Moabitas o temiam muito e não podiam sustentar o seu ataque, 4 disse aos anciães de Madian: Este povo destruirá todos os que habitam em nossos territórios, da mesma sorte que o boi costuma roer as ervas até à raiz. Este era naquele tempo rei dos Moabitas. 5 Mandou, pois, embaixadores a Balaão, filho de Beor, adivinho, que habitava sobre o rio do país dos filhos de Amon, para que o chamassem e lhe dissessem: Eis que saiu do Egito um povo, que cobriu a face da terra, o qual está acampado contra mim. 6 Vem, pois, e amaldiçoa este povo, porque ele é mais forte do que eu, a fim de ver se posso, por algum modo, batê-lo e lançá-lo fora do meu pais. Eu sei que será bendito aquele a quem tu abençoares, e maldito aquele a quem lançares maldições. 7 Os anciães de Moab e os anciães de Madian partiram, levando nas mãos o preço da adivinhação. Tendo chegado junto de Balaão, e tendo-lhe referido todas as palavras de Balac, 8 ele respondeu: Ficai aqui esta noite, e eu vos responderei tudo o que o Senhor me disser. Estando eles em casa de Balaão, veio Deus, e disse-lhe: 9 Que querem estes homens, que estão junto de ti? 10 Ele respondeu: Balac, filho de Sefor, rei dos Moabitas, mandou 11 dizer-me: Eis que um povo, que saiu do Egito, cobriu a superfície da terra: vem e amaldiçoa-o, para que eu, combatendo-o, por qualquer modo o possa afugentar. 12 Deus disse a Balaão: Não vás com eles, nem amaldiçoes o povo, porque é bendito. 13 (Balaão), levantando-se pela manhã, disse aos príncipes: Tornai para a vossa terra porque o Senhor me proibiu ir convosco. 14 Voltando os príncipes, disseram a Balac: Balaão não quis vir connosco. 15 Balac, enviou-lhe de novo outros (embaixadores) em maior número e de maior qualidade, do que os que antes enviara, 16 os quais, chegando junto de Balaão, disseram-lhe: Eis o que diz Balac, filho de Sefor: Não te demores em vir ter comigo; 17 eu estou pronto para te honrar e te darei tudo o que quiseres: vem, e amaldiçoa este povo. 18 Balaão respondeu: Ainda que Balac me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderei alterar a palavra do Senhor meu Deus, para dizer de mais ou de menos. 19 Rogo-vos que fiqueis aqui ainda esta noite, para que eu possa saber o que é que o Senhor me responderá de novo. 20 Veio, pois, Deus a Balaão de noite, e disse-lhe: Se estes homens te vierem chamar, levanta-te e vai com eles, mas com a condição de que faças o que eu te mandar. 21 Balaão levantou-se de manhã, e, aparelhada a sua jumenta, partiu com eles.Jumenta de Balaão.
22 Porém, Deus irou-se, e o anjo do Senhor pôs-se no caminho diante de Balaão, que ia montado na jumenta, e levava consigo dois criados. Mas Deus irou-se. Deus tinha permitido a Balaão que partisse. Balaão, porém, fascinado pela promessa de honras e riquezas, tomou no seu interior a resolução de amaldiçoar Israel, pensando em obedecer antes a Balac que a Deus, o qual vai onerar um grande milagre para o converter.Aparição do Anjo a Balaão.
31 De repente abriu o Senhor os olhos de Balaão, e ele viu o anjo que estava no caminho com a espada desembainhada, e, prostrado por terra, o adorou Isto é, inclinou-se profundamente.. 32 O anjo disse-lhe: Por que castigas tu pela terceira vez a jumenta? Eu vim opor-me a ti, porque o teu caminho é perverso e contrário a mim; 33 se a jumenta se não tivesse desviado do caminho, cedendo o lugar a quem se opunha (à tua passagem), eu ter-te-ia matado, e ela ficaria viva. 34 Balaão respondeu: Eu pequei, não sabendo que tu te opunhas a mim, mas agora, se não te apraz que eu vá, voltarei. 35 Disse-lhe o anjo: Vai com estes, mas vê, não digas se não o que eu te mandar. Ele, pois, foi com os príncipes.Encontro de Balaão com Balac.
36 Balac, tendo ouvido isto, saiu a recebê-lo numa cidade dos Moabitas, que está situada na fronteira do Arnon, 37 e disse a Balaão: Mandei embaixadores chamar-te. Por que não vieste logo ter comigo? Foi acaso porque eu não posso recompensar a tua viagem? 38 Balaão respondeu-lhe: Eis-me aqui; mas poderei eu dizer outra coisa, que não seja o que Deus me puser na boca? 39 Partiram, pois, ambos, e chegaram a uma cidade, que estava na fronteira do seu reino. 40 Balac, tendo matado bois e ovelhas, mandou presentes a Balaão e aos príncipes que estavam com ele. 41 Chegada a manhã, levou-a aos altos de Baal, e (de lá Balaão) viu uma extremidade do povo.Citado em 4
- Este capítulo Ecclesia de Eucharistia(§51)
- v. 12 Summa (EN)(II-II 172.6)
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- v. 23 Summa (EN)(I 110.1)