Provérbios 8
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
III - Terceira série de exortações
A sabedoria faz o seu elogio para ganhar os corações.
1 Porventura a sabedoria não está repetidas vezes clamando, e a prudência não faz ouvir a sua voz? 2 No mais alto e elevado das eminências, ao longo do caminho, nas encruzilhadas ela está de pé, 3 junto às portas da cidade, na mesma entrada ela fala, dizendo: 4 A vós, ó homens, é que eu estou continuamente clamando, e aos filhos dos homens é que se dirige a minha voz. 5 Aprendei, ó inexperientes, a prudência, e vós, insensatos, tomai inteligência.Seus dotes.
6 Ouvi, porque tenho de vos falar acerca de grandes coisas, e os meus lábios se abrirão, para anunciarem o que é recto. 7 A minha boca publicará a verdade, e os meus lábios detestarão o ímpio. 8 Todas as minhas palavras são justas, nelas não há coisa tortuosa nem perversa. 9 Todas são rectas para os inteligentes, e de equidade para os que encontraram a ciência. 10 Recebei as minhas instruções com maior gosto do que dinheiro, preferi a ciência ao oiro fino. 11 Vale mais a sabedoria que as pérolas, e tudo quanto é apetecível não se pode comparar com ela. 12 Eu, a sabedoria, tenho comigo o (bom) conselho, possuo a ciência e a reflexão. 13 O temor do Senhor odeia o mal. Eu detesto a arrogância e a soberba, o caminho corrompido e a língua perversa. 14 Meu é o conselho e a equidade, minha é a inteligência, minha a fortaleza. 15 Por mim reinam os reis, e por mim decretam os legisladores o que é justo. 16 Por mim imperam os príncipes, e os soberanos governam com rectidão. 17 Eu amo os que me amam, e o que me busca encontrar-me-á. 18 Comigo estarão as riquezas e a gloria, a sólida opulência e a justiça. 19 Melhor é o meu fruto que o oiro mais fino, as minhas produções melhores que a prata mais pura. 20 Eu ando nos caminhos da justiça, no meio das veredas da equidade, 21 para enriquecer os que me amam, para encher os seus tesouros.Origem eterna da sabedoria.
22 O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde o princípio, antes que criasse coisa alguma. O elogio da sabedoria atinge aqui o sublime. O próprio Deus serviu-se da sabedoria para arquitectar este maravilhoso universo. O sábio, nesta passagem, amplifica e aprofunda o pensamento brevemente anunciado no cap. Pv. 3, 19-20, mas apresenta-nos a sabedoria sob um conceito novo. Esta não é para ele uma abstracção, é um ser concreto, vivo, que opera ao lado de Deus. Não é, porém, uma criatura, é um ser divino, porque existia antes que Deus criasse qualquer coisa (Pv. 8, 22-26), e concorreu para a criação de tudo (Pv. 8, 27-31). É a sabedoria eterna, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que incarnou em Jesus Cristo. 23 Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes que a terra fosse criada. 24 Ainda não havia os abismos, e eu estava já concebida, ainda as fontes das águas não tinham brotado, 25 ainda se não tinham assentado os montes sobre as suas bases; antes de haver outeiros, eu tinha já nascido. 26 Ainda ele não tinha criado a terra, nem os campos, nem o primeiro pó da terra. 27 Quando ele preparava os céus, eu estava presente; quando, por uma lei inviolável, encerrava os abismos dentro dos seus limites; 28 quando firmava lá no alto a região etérea, e quando equilibrava as fontes das águas; 29 quando circunscrevia ao mar o seu termo, e punha lei às águas, para que não passassem os seus limites; quando assentava os fundamentos da terra, 30 eu estava com ele, como arquitecto; cada dia me deleitava, recreando-me Estas palavras mostram a satisfação da Sabedoria do Criador, ao contemplar as obras que produzia. Mas, entre essas obras, é no homem que a Sabedoria criadora mais se compraz (e achando as minhas delícias...) continuamente diante dele, 31 recreando-me sobre o globo da terra, e achando as minhas delícias em estar com os filhos dos homens.Felicidade daquele que possui a sabedoria.
32 Agora, pois, meus filhos, ouvi-me: Bem-aventurados os que seguem os meus caminhos. 33 Ouvi as minhas instruções, e sede sábios, não queirais rejeitá-las. 34 Bem-aventurado o homem que me ouve, e que vela todos os dias à entrada da minha casa, e que se conserva à porta da minha casa. 35 Aquele que me achar, achará a vida, e alcançará o favor do Senhor. 36 Aquele, porém, que pecar contra mim, fará mal à sua alma. Todos os que me odeiam amam a morte.Citado em 53
- v. 1 CCC(¶721)
- v. 2 CCC(¶721
¶2465) - v. 3 CCC(¶721)
- v. 4 CCC(¶721)
- v. 5 CCC(¶721)
- v. 6 CCC(¶721
¶2465) Summa (EN)(II-II 168.2) - v. 7 CCC(¶721
¶2465) - v. 8 CCC(¶721)Summa (EN)(I-II 105.3
II-II 34.3) - v. 9 CCC(¶721)
- v. 15 Summa (EN)(I-II 93.3
I-II 96.4 Diuturnum(§9)I-II 96.6) - v. 16 Diuturnum(§9)
- v. 17 Summa (EN)(I-II 65.5
II-II 45.5) - v. 18 Summa (EN)(II-II 112.1)
- v. 22 CCC(¶288)Summa (EN)(I 46.1
I 61.2) Magnifica Humanitas(§3) - v. 23 CCC(¶288)Summa (EN)(I-II 91.1)Magnifica Humanitas(§3)
- v. 24 CCC(¶288)Summa (EN)(I 27.2)Magnifica Humanitas(§3)
- v. 25 CCC(¶288)Magnifica Humanitas(§3)
- v. 26 CCC(¶288)Magnifica Humanitas(§3)
- v. 27 CCC(¶288)Magnifica Humanitas(§3)
- v. 28 CCC(¶288)Magnifica Humanitas(§3)
- v. 29 CCC(¶288)Summa (EN)(I-II 93.5)Magnifica Humanitas(§3)
- v. 30 CCC(¶288)Gaudium et Spes(§55
§57) Magnifica Humanitas(§3) - v. 31 CCC(¶288)Summa (EN)(III 4.1)Gaudium et Spes(§55
§57) Magnifica Humanitas(§3)