Salmos 104

Hino a Deus Criador

Sua glória nos céus.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor! Senhor, Deus meu, tu és muito grande! Estás revestido de majestade e de esplendor, Arrebatado pelas belezas grandiosas do universo, o poeta canta um hino de admiração ao Criador. Em quadros de vivas pinceladas faz passar por diante do leitor a luz e os meteoros (2-4), a formação do orbe terráqueo (5-9), a distribuição das águas terrestres e a vegetação (10-18), a vida animal e a indústria humana (19-24), a vida aquática e a conservação dos seres vivos (25-30). envolvido em luz como num manto. Tu estendeste o céu como um pavilhão, construiste sobre as águas os teus aposentos. Fazes das nuvens o teu carro, andas sobre as asas do vento. Dos ventos fazes os teus mensageiros, e do fogo ardente os teus ministros.
A terra e o mar.
Fundaste a terra sobre as suas bases, e não vacilará pelos séculos dos séculos. Com o oceano Alusão aos primeiros tempos da criação, em que a terra estava completamente coberta pela imensidão das águas. a cobriste como com um manto, e as águas mantiveram-se sobre as montanhas. Mas, à tua ameaça, (essas águas) fugiram, à voz do teu trovão tremeram. As montanhas elevaram-se, os vales desceram aos lugares que lhes marcaste. Estabeleceste-lhes limites, que não podem ultrapassar, para que não voltem a cobrir a terra.
Fontes, chuvas, fertilidade do solo.
Mandas que das fontes nasçam os arroios que correm entre as montanhas, que a todos os animais do campo dão de beber: os asnos silvestres apagam a sua sede; junto deles habitam as aves do céu, (as quais) fazem ouvir as suas vozes por entre os ramos, Regas os montes (do alto) das tuas moradas, com o fruto das tuas obras é saciada a terra. Produzes erva para os animais, verduras para uso dos homens, para poderem tirar o pão do seio da terra, e o vinho que alegra o coração do homem; para fazer brilhar o seu rosto com azeite, para que o pão robusteça o coração do homem.
As árvores e os animais das montanhas.
São saciadas as árvores do Senhor, e os cedros do Líbano, que ele plantou. Ali fazem seus ninhos as aves, a casa da cegonha são os abetos. Os montes altos às cabras monteses, os penhascos aos roedores dão refúgio.
O dia e a noite
Fez a lua para marcar os tempos; o sol conheceu o seu ocaso. Quando formas as trevas e se faz noite, então vagueiam todos os animais da selva. Os leõezinhos rugem em busca da presa, e pedem a Deus o seu sustento. Quando o sol desponta, retiram-se, vão recolher-se nos seus covis. Sai então o homem para o seu trabalho e para os seus labores até à noite.
As maravilhas do mar.
Quão numerosas são as tuas obras. Senhor! Fizeste com sabedoria todas as coisas: a terra está cheia das tuas criaturas. Eis o mar, grande e espaçoso, nele existem peixes sem número, animais pequenos e grandes. Por ele transitam os navios, e Leviatã, que formaste para nele brincar (entre as suas ondas).
Toda a vida depende de Deus.
Todos esperam de ti, que lhes dês de comer a seu tempo, Dando-lho tu, eles o recolhem; abrindo a tua mão, enchem-se de bens. Se escondes o teu rosto, perturbam-se; se lhes tiras o espírito, perecem e voltam ao seu pó (de que saíram). Se envias o teu espírito, são criados, e renovas a face da terra.
Glória ao Criador.
Seja eterna a glória do Senhor: alegre-se o Senhor nas suas obras, aquele (Senhor) que olha para a terra, e ela treme, que toca os montes, e eles fumegam. Os terramotos e as erupções vulcânicas não custam a Deus mais que um aceno. Cantarei ao Senhor durante toda a minha vida; cantarei salmos ao meu Deus enquanto existir. Sejam-lhe agradáveis as minhas palavras; quanto a mim, deleitar-me-ei nó Senhor. Desapareçam da terra os pecadores, e os ímpios não existam mais; bendiz, ó minha alma, o Senhor! Aleluia!

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