Salmos 106

Culpas e castigos do povo Ingrato

Deus é misericordioso com Israel.
Aleluia. Louvai o Senhor, porque é bom, porque a sua misericórdia é eterna. Retoma a história de Israel quase no ponto em que a deixou no salmo anterior, mas com um fim diferente, que é fazer sobressair, especialmente nas vicissitudes dos quarenta anos do deserto (13-33), dum lado a infidelidade do povo escolhido, do outro a inexgotável bondade de Deus, que o castigava para imediatamente lhe perdoar a conceder benefícios. O vers. 6 dá a este salmo o valor duma confissão pública. Quem poderá referir as obras do poder do Senhor, contar todos os seus louvores? Bem-aventurados os que observam os seus preceitos, que praticam a justiça em todo o tempo. Lembra-te de mim, Senhor, segundo a tua benevolência para com o teu povo; visita-me com o teu auxílio, para que me deleite com a felicidade dos teus escolhidos, para que eu goze com o gozo do teu povo, para que me glorie com a tua herança. Pecámos com os nossos pais, cometemos a iniquidade, procedemos impiamente.
apesar dos seus antepassados terem pecado no Egipto e no deserto.
Nossos pais no Egipto não consideraram as tuas maravilhas, não se lembraram da multidão das tuas graças, antes se revoltaram contra o Altíssimo junto do Mar Vermelho. Mas (o Senhor) salvou-os, por amor do seu nome, para mostrar o seu poder. Ameaçou o mar Vermelho, e ele secou-se; e conduziu-os por entre as ondas, como por um deserto. E salvou-os da mão do que os odiava, livrou-os da mão do inimigo. As águas cobriram os seus adversários, não escapou um só deles. E deram créditos às suas palavras, cantaram os seus louvores. Porém, depressa esqueceram as suas obras, não esperaram a realização do seu desígnio. Não esperaram que Deus os provesse de comida e bebida no momento oportuno, mas começaram a murmurar. No deserto entregaram-se à concupiscência, e tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediam, mas mandou-lhes o esgotamento. Tiveram inveja de Moisés nos acampamentos, e de Aarão, o Santo do Senhor. Revolta de Datan e Abiron, que queriam ser iguais a Moisés e Aarão (Núm. 16). Abriu-se a terra e tragou Datan, e sepultou o bando de Abiron. E ateou-se fogo contra o bando de ambos: a chama consumiu os iníquos. Fizeram um bezerro em Horeb e adoraram um ídolo de ouro fundido. E trocaram a sua glória pelo simulacro dum touro que come feno. Esqueceram-se de Deus, que os tinha salvado, que tinha operado prodígios no Egipto, maravilhas na terra de Cam, coisas terríveis no mar vermelho. (Deus) pensava exterminá-los, se Moisés, seu escolhido, não tivesse intercedido junto dele, a fim de afastar a sua ira, para que não os exterminasse. Desprezaram uma terra desejável, não deram crédito à sua palavra. Murmuraram nas suas tendas, não obedeceram ao Senhor. (Por isso) jurou-lhes com a mão levantada que os prostraria no deserto, que dispersaria a sua posteridade entre as nações, e os disseminaria por diversos países. E aderiram a Beelfegor e comeram os sacrifícios de deuses mortos. Provocaram-no com os seus crimes, mas caiu sobre eles um flagelo. Fineias apresentou-se e fez justiça, e cessou o flagelo, E (este zelo) foi-lhe contado como justiça, por todas as gerações para sempre. Irritaram-no junto das Aguas de Meriba, e aconteceu mal a Moisés por causa deles, porque exacerbaram o seu espírito, e ele falou inconsideradamente com os seus lábios.
e na terra prometida.
Não exterminaram os povos, que o Senhor lhes tinha mandado. (Pelo contrário) misturaram-se com os gentios, aprenderam as suas acções, e adoraram as suas estátuas, que se tornaram um laço para eles. Imolaram os seus filhos e as suas filhas aos demônios. Derramaram o sangue inocente: o sangue de seus filhos e de suas filhas, que imolaram aos ídolos de Canaan. E (assim) a terra ficou profanada com sangue. Contaminaram-se com as suas obras, prostituíram-se com os seus crimes. (Por isso) incendiou-se o furor do Senhor contra o seu povo, e abominou a sua herança. Entregou-os ao poder dos gentios, e dominaram-nos aqueles que os odiavam. Os seus inimigos angustiaram-nos, e (eles) foram oprimidos sob a sua mão. Muitas vezes Deus os livrou; eles porém irritaram-no com os seus (impios) desígnios, e foram prostrados pelas suas próprias iniquidades. Todavia (Deus) volveu os olhos para a sua angústia, quando ouviu a sua súplica. Lembrou-se, em favor deles, da sua aliança, teve piedade deles segundo a sua grande misericórdia. E conciliou-lhes a misericórdia de todos aqueles que os tinham levado cativos. Salva-nos, Senhor, nosso Deus, recolhe-nos dentre as nações, para que celebremos o teu santo nome, e nos gloriemos em louvar-te.
Doxologia do livro quarto
Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de século em século. E todo o povo diga: Assim seja! Aleluia!

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