1Louvai o Senhor, porque é bom, porque a sua misericórdia é eterna.Em quatro quadros simbólicos (4-9; 10-16; 17-22; 23-32) de uma elegante disposição simétrica" o salmista traça os grandes males de que Deus livrou o povo de Israel, o qual lhe deve por isso uma eterna gratidão. Em seguida descreve o feliz estado dos Israelitas, depois de terem voltado do exílio (33-41). outro motivo de dar graças a Deus.2 Assim digam os que foram resgatados pelo Senhor, os que ele resgatou da mão do inimigo,Expressões que indicam a volta do cativeiro à pátria reconstituida.3 e os que congregou de várias terras; do oriente e do ocidente, do aquião e do austro.
Louvem o Senhor os Israelitas, outrora perdidos no deserto,
4 Andaram errantes pelo deserto, pela solidão, não encontraram caminho para uma cidade habitável.Primeiro quadro simbólico; a fome no deserto, tal era o exílio.5 Tinham fome e sede, a sua vida desfalecia neles.6 E clamaram ao Senhor no meio das suas angústias, e ele os livrou das suas tribulações.7 Conduziu-os por caminho direito, para que chegassem a uma cidade habitável.8 Dêem graças ao Senhor pela sua misericórdia e pelas suas maravilhas em favor dos filhos dos homens,9 porque saciou a alma faminta, encheu de bens a alma esfomeada.10 Estiveram sentados no meio de trevas e na escuridão, prisioneiros na miséria e nos ferros,Segundo símbolo: a prisão.11 Porque tinham sido rebeldes às palavras de Deus, tinham desprezado o conselho do Altíssimo.12 Humilhou com trabalhos o seu coração; ficaram sem forças, e não houve quem os socorresse.13 E clamaram ao Senhor no meio das suas angústias, e ele os livrou das suas tribulações.14 Tirou-os das trevas (do cárcere) e da escuridão, quebrou as suas cadeias.15 Dêem graças ao Senhor pela sua misericórdia e pelas suas maravilhas em favor dos filhos dos homens,16 porque arrombou as portas de bronze e quebrou os ferrolhos de ferro.17 Estavam enfermos, por causa da sua iniquidade, e eram atormentados por causa dos seus delitos.Terceiro símbolo: a perda de forças, causada por uma náusea contínua.18 A sua alma aborrecia toda a comida, e chegaram às portas da morte.19 E clamaram ao Senhor no meio das suas angústias, e ele os livrou das suas tribulações.20 Enviou a sua palavra para os curar, para os livrar da ruína.21 Dêem graças ao Senhor pela sua misericórdia e pelas suas maravilhas em favor dos filhos dos homens.22 Ofereçam sacrifícios de louvor, anunciem as suas obras com alegria.
Louvem o Senhor os navegantes.
23 Os que tinham descido ao mar em naus, para fazerem comércio sobre as grandes águas,Quarto símbolo: os náufragos. A tempestade que os surpreende é um perigo tanto mais grave quanto raras eram para os antigos Hebreus as viagens por mar.24 viram as obras do Senhor, as suas maravilhas no meio do mar.25 Falou, e excitou um vento proceloso, que levantou para o alto as suas ondas.26 Subiam até aos céus e desciam até aos abismos; a sua alma desfalecia no meio destes males.27 Andavam à roda e cambaleavam como ébrios, e toda a sua perícia se desvaneceu.28 E clamaram ao Senhor no meio das suas angústias, e ele os livrou das suas tribulações.29 A tempestade serenou em doce brisa, ficaram silenciosas as ondas do mar.30 Eles alegraram-se por as ver silenciosas, e (o Senhor) conduziu-os ao porto que desejavam.31 Dêem graças ao Senhor pela sua misericórdia e pelas suas maravilhas em favor dos filhos dos homens32 Exaltem-no na assembleia do povo, e louvem-no no conselho dos anciãos.
Aflição e libertação.
33 Converteu os rios em deserto, os mananciais das águas em terra sedenta,A Palestina, a princípio fértil, foi convertida em deserto durante o cativeiro de Babilônia.34 a terra fértil em salsugem, por causa da malícia dos seus habitantes.35 Converteu o deserto em lago de águas, e a terra árida em mananciais de águas.Mas, depois da volta dos Israelitas, tomou-se, com o auxilio de Deus, uma terra fértil.36 Estabeleceu ali os famintos, e eles fundaram uma cidade habitável.37 Semearam campos, plantaram vinhas, e colheram frutos abundantes.38 E abençoou-os, e multiplicaram-se em extremo, e deu-lhes gado em número não escasso.39 Depois foram reduzidos a poucos e abatidos, sob o peso dos infortúnios e da aflição.40 Todavia, o que lança o desprezo sobre os príncipes, e os faz errar por ínvios desertos,41 levantou o pobre da sua miséria, e fez as famílias numerosas como rebanhos.
Atendam os sábios a estes favores divinos.
42 Os justos vêem (estes coisas) e alegram-se, e toda a maldade fecha a sua boca.43Quem é sábioQual é o homem sábio, que não conservará na memória estas coisas, e não procurará, por isso, orientar bem a sua vida? para considerar estas coisas e ponderar bem as misericórdias do Senhor?