Salmos 109

Contra inimigos injustos e pérfidos

Ao mestre do coro. De Davide, Salmo. Ó Deus, meu louvor, não te cales Não deixes de manifestar a minha inocência contra as calúnias de que sou vítima.,
Malícia dos inimigos,
porque abriram contra mim uma boca ímpia e enganadora. Falaram-me com língua aleivosa, com palavras de ódio me cercaram, e sem causa me fizeram guerra. Em paga do meu amor, acusavam-me; eu porém orava. Deram-me males em troca de bens, ódio em troca do amor que eu lhes tinha.
Imprecações contra eles.
Suscita um ímpio contra ele, e esteja um acusador à sua direita. Depois de ter empregado o plural para designar os seus inimigos, Davide emprega agora o singular, porque tinha particularmente em vista o chefe desses inimigos, verdadeiro instigador de todos os seus males. S. Pedro, aplicando o salmo a Jesus, vê neste chefe Judas traidor (Act, 1, 20). Suscita... Deve notar-se que, neste salmo" Davide fala como profeta, e, em nome de Deus, anuncia o que havia de acontecer aos inimigos obstinados do Senhor. Quando for julgado, seja condenado, e seja vã a sua súplica. Sejam abreviados os seus dias, e ocupe outro o seu posto. Fiquem seus filhos órfãos, e sua esposa viúva. Andem vagabundos dum lugar para o outro os seus filhos e mendiguem, e sejam lançados fora das suas habitações devastadas. O usurário dê caça a todos os seus bens, e os estranhos roubem o fruto do seu trabalho. Ninguém tenha compaixão dele, nem haja quem se compadeça dos seus órfãos. Seja exterminada toda a sua posteridade: na segunda geração fique apagado o seu nome. Reviva a lembrança da culpa de seus pais na presença do Senhor, e o pecado de sua mãe não seja apagado: estejam sempre (os seus crimes) diante do Senhor, e extirpe da terra a sua memória, porque não pensou em usar de misericórdia, mas perseguiu o homem miserável e mendigo, o homem aflito do coração, para lhe dar a morte. Amou a maldição: venha ela sobre ele; não quis a bênção; afaste-se ela dele. Vista-se de maldição como de um vestido: penetre como água nas suas entranhas, e como azeite nos seus ossos. Seja para ele como o vestido com que se cobre, e como a cinta com que sempre se cinge. Seja esta a paga do Senhor àqueles que me acusam, e aos que dizem males contra a minha alma.
Preces para alcançar o auxílio divino.
E tu, Senhor, Deus, sê comigo por amor do teu nome; porque é benigna a tua misericórdia, salva-me, pois sou miserável e pobre, e o meu coração está ferido dentro de mim. Desapareço como a sombra que vai caindo, e sou sacudido (para longe) como um gafanhoto, Os meus joelhos vacilam com o jejum, e a minha carne definha com a magreza. Tornei-me para eles um objecto de opróbrio; ao verem-me, abanam a cabeça (insultando-me). Socorre-me, Senhor Deus meu; salva-me segundo a tua misericórdia, E saibam que isto é obra da tua mão, que foste tu, Senhor, que fizeste isto. Amaldiçoem eles (muito embora) mas abençoes tu; confundidos sejam os que se levantam contra mim, e entretanto o teu servo se alegrará. Sejam cobertos de ignomínia os meus acusadores, e envolvidos na sua confusão como num manto.
Acção de graças antecipada.
Exaltarei altamente o Senhor com a minha boca no meio de muitos cantarei os seus louvores, porque se pôs à direita do pobre, para o pôr a salvo dos juizes (iníquos),

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