Sabedoria 14
As edições aqui situam o limite entre alguns versículos deste capítulo em orações diferentes, de forma que uma citação pode cair ao lado da frase errada.
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Loucura do que invoca um ídolo, estando para embarcar.
1 Um outro ainda, fazendo tenção de se fazer ao mar, preparando-se para atravessar as impetuosas ondas, invoca um madeiro mais frágil do que o barco que o leva. 2 Com efeito, a cobiça de ganhar inventou o navio, e um artista pela sua sabedoria o fabricou. Na fabricação dum navio manifesta-se mais habilidade que na fabricação dum ídolo. 3 Mas a tua providência, ó Pai, é que o governa, porque tu até no mar abriste caminho, e uma derrota seguríssima por entre as ondas, Estes versículos são uma espécie de digressão sobre a providência de Deus para com os marinheiros, e contribuem também para provar a inutilidade dos ídolos. 4 mostrando que és poderoso para salvar de todos (os perigos), ainda que alguém se meta no mar sem conhecimento da arte (de marear). 5 Queres, entretanto, que as obras da tua sabedoria não sejam vãs, e, por isso, os homens confiam a um pequeno lenho as suas vidas, e, atravessando o mar sobre uma embarcação, chegam a salvamento. Não sejam vãs. A navegação serve para fazer conhecer melhor as obras divinas, isto é, os vários produtos de cada região, e para os espalhar por toda a parte por meio do comércio. 6 Desta sorte, nos primeiros tempos, quando pereceram os soberbos gigantes, refugiou-se a esperança de toda a terra numa barca, conservando para o mundo a semente das novas gerações, graças à tua mão que a governava. A esperança de toda a terra... Noé com sua família, depois do dilúvio, foram os únicos que ficaram para repovoar a terra.Castigo dos ídolos e dos seus adoradores.
7 O madeiro, do qual se faz bom uso, é bendito. 8 mas o ídolo, obra das mãos (do homem), é maldito, ele e o seu autor; este, porque de facto o fabricou, e aquele, porque, sendo uma coisa corruptível foi chamado deus. 9 Deus aborrece, de facto, igualmente o ímpio e a sua impiedade. 10 A obra será castigada juntamente com o seu autor. 11 Por esta causa serão também julgados os ídolos das nações, porque, no meio da criação de Deus, tornaram-se uma abominação, objecto de escândalo para as almas dos homens, e um laço para os pés dos insensatos. Abominação, culto execrando.Origens da idolatria.
12 A ideia de fazer ídolos foi o princípio da fornicação, a sua invenção foi a perda da vida. Da fornicação, isto é, da idolatria. 13 Eles não existiam no princípio, nem durarão sempre. 14 Foi a vaidade dos homens que os introduziu no mundo, e por isso, em breve, se verá o seu fim, decidido por Deus. 15 Penetrado um pai de dor amarga, fez a imagem de seu filho, que prematuramente lhe tinha sido arrebatado, e aquele, que não era mais que um morto, começou a adorar como deus, transmitindo aos seus servos ritos secretos e cerimônias. 16 Depois, com o andar do tempo, firmando-se este ímpio costume, foi observado como uma lei, e por ordem dos príncipes foram também adorados os simulacros. 17 Aqueles que não podiam honrar em presença os que estavam distantes, mandavam representar a sua figura que se achava longe, mandavam fazer a imagem visível do Rei, a quem queriam honrar, a fim de prestar aquele que estava ausente um culto tão zeloso como se estivesse presente. 18 A ambição do artista excitou também este culto mesmo no espírito dos que não conheciam o rei, 19 porque, desejando o artista agradar ao soberano, esmerou-se com a sua arte em tornar a representação mais bela que a realidade; 20 o vulgo, seduzido pela beleza da obra, tomou por um Deus aquele que até ali tinha honrado como homem. 21 Isto foi ocasião de queda para a vida (humana), (proveniente) de que os homens, sujeitando-se à lei da desgraça ou da tirania, deram às pedras e à madeira o nome incomunicável. o nome de Deus incomunicável a qualquer outro ser.Efeitos deploráveis da idolatria.
22 Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, os homens, vivendo em grande guerra de ignorância, deram o nome de paz a tão grandes males. Em grande guerra interior, em grande corrupção de costumes, causada pela ignorância de Deus. 23 Sacrificando os seus próprios filhos, celebrando mistérios clandestinos, entregando-se a orgias desenfreadas de ritos estranhos, 24 não conservam puros nem o seu proceder nem os seu matrimônios, mas um mata outro por traição ou o ultraja com o adultério. 25 Há em toda a parte, numa confusão completa, sangue, homicídio, furto, engano, corrupção, infidelidade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, 26 esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, crimes contra a natureza, instabilidade dos matrimônios, adultério e impudicícia. 27 Porque o culto dos ídolos sem nome é o princípio, a causa e o fim de todo o mal. 28 Praticam loucuras enquanto se divertem, ou fazem vaticínios cheios de mentira, ou vivem na Injustiça, ou juram falso sem escrúpulo. 29 Como depositam a sua confiança nos ídolos, que não têm vida, esperam não receber punição de tais perjúrios. 30 Porém sobre eles virá o merecido castigo por ambos estes crimes: porque pensaram mal de Deus aderindo aos ídolos, e com fraude juraram injustamente, desprezando a santidade. 31 Não é o poder daqueles, por quem juraram, mas a pena devida aos pecadores que anda sempre no alcance da prevaricação dos injustos.Citado em 20
- v. 2 Laborem Exercens(§26)
- v. 3 Summa (EN)(I 22.1
I 103.1) Laborem Exercens(§26) - v. 9 Summa (EN)(I-II 79.1
I-II 102.5 II-II 55.1 III 49.4) - v. 11 Summa (EN)(I 65.1
I-II 79.1 II-II 9.4) - v. 12 CCC(¶2534)
- v. 14 Summa (EN)(II-II 94.4)
- v. 15 Summa (EN)(II-II 94.4)
- v. 21 Summa (EN)(I 3.4
I 13.9 II-II 94.4 III 16.2) - v. 22 Summa (EN)(II-II 29.2)
- v. 27 Summa (EN)(II-II 94.4)