Sabedoria 17
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
A praga das trevas e as colunas de fogo.
1 Grandes são, Senhor, e impenetráveis os teus juízos; por isso as almas sem instrução Os Egípcios que, depois de tantos avisos e prodígios, não creram em Deus nem lhe obedeceram. se desgarraram. 2 Os maus, julgando poder dominar o povo santo, prisioneiros das trevas e encadeados, por uma longa noite, jaziam encerrados sob os seus tectos, fugindo (tentando fugir) à (tua) eterna providência. As trevas, nona praga do Egipto. 3 Quando eles julgavam estar escondidos, com os seus pecados secretos, sob o véu tenebroso do esquecimento, foram dispersados, horrendamente espavoridos e perturbados por espectros. A escuridão, de que os Egípcios tinham abusado para o crime, (Nm. 14, 23) serviu-lhes de justo castigo. 4 Nem a caverna, em que se tinham refugiado os guardava do temor: ruídos aterradores ressoavam em sua volta, e espectros melancólicos sinistramente lhes apareciam. 5 Não havia fogo, por mais ardente que fosse, capaz de lhes dar luz, nem as brilhantes chamas das estrelas podiam iluminar aquela horrorosa noite. 6 Só lhes aparecia um clarão repentino e temeroso; amedrontados por esta visão, cuja causa ignoravam, julgavam mais formidáveis (do que eram) tais aparições. 7 Então caíam por terra as ilusões das artes mágicas, e a sua sabedoria, pretensa sabedoria cobria-se de vergonhoso descrédito. Ficaram impotentes para frustrar as pragas infligidas por Deus contra os Egípcios. 8 Os que prometiam banir os temores e as perturbações das almas desfalecidas, esses mesmos estavam deprimidos, cheios dum medo ridículo. 9 Ainda que nada de terrível os perturbasse, assustados com a passagem dos animais e com os silvos das serpentes, morriam tremendo de medo, e nem mesmo queriam ver o ar, que ninguém de modo algum pode evitar. Nem mesmo queriam... Os Egípcios, no meio do seu terror, nem sequer queriam lançar os olhos para o ar tenebroso que os cercava. 10 A maldade é medrosa e condena-se por seu próprio testemunho; oprimida pela consciência, supõe sempre o pior. 11 O temor não é outra coisa senão a privação dos socorros trazidos pela reflexão. 12 Quanto menor for, no fundo do coração, a esperança de auxílio, tanto maior o receio de ignorar a causa dos tormentos. 13 Aqueles, pois, que, nessa noite verdadeiramente impossibilitante, saída do mais baixo e profundo do orco, dormiam um mesmo sono, Nessa noite que tornava impossível a vida e que parecia ter saído do inferno. 14 umas vezes eram agitados por espectros aterradores, outras desmaiavam pelo desfalecimento do seu espírito, porque os sobressaltava um repentino e inesperado temor. 15 Depois disto, se algum deles, fosse quem fosse, caía sem força, ficava como preso e encerrado num cárcere sem ferros. 16 Tanto o camponês como o pastor, ou o que se ocupava nos trabalhos do campo, se eram assim surpreendidos, ficavam sujeitos a uma necessidade inevitável, Sofria uma necessidade... As pessoas assim surpreendidas tiveram de ficar no meio do campo sem se poderem mover, até que o flagelo terminou. 17 porque todos estavam ligados com uma mesma cadeia de trevas. Ou fosse o vento quando assoprava, ou o suave canto dos pássaros entre os espessos ramos de árvores, ou a violência da água, correndo precipitadamente, 18 ou o fragor das pedras que se despenhavam, ou a carreira invisível de animais que saltavam, ou o forte rugido das feras, ou o eco que reboava na concavidade dos montes, — tudo os fazia desfalecer de terror, 19 Entretanto todo o resto do mundo estava alumiado com uma luz clara, e ocupava-se nos seus trabalhos sem obstáculo algum. 20 Somente sobre eles pesava uma profunda noite, imagem das trevas que lhes estavam reservadas. Mas eram a si mesmos mais insuportáveis do que as próprias trevas. Mas eles eram a si mesmos... Não há maior tormento para a alma do que o remorso causado pelas maldades próprias.Citado em 2
- v. 10 Summa (EN)(II-II 21.3)
- v. 11 Summa (EN)(II-II 21.3)