Sabedoria 7
Bíblia Sagrada (Matos Soares)
© Manuel de Matos Soares Fonte: liriocatolico.com.br
Modo por que Salomão adquiriu a sabedoria.
1 Também eu por certo sou um homem mortal, semelhante a todos os outros, e da descendência daquele que primeiro foi formado de terra. 2 O meu corpo foi formado no seio de minha mãe, no espaço de dez meses coagulado no sangue, feito do semen do homem e do prazer conjugal. No espaço de dez meses. Os meses entre os Hebreus contavam 29 e 30 dias. O nascimento da criança dava-se no décimo mês. contando o mês começado, como ainda hoje contam os povos orientais. 3 E eu, tendo nascido, respirei o ar comum (a todos) e caí sobre a mesma terra (que os outros), e soltei a primeira voz, como todos, chorando. Cai... Locução que designa o nascimento, aludindo à completa impossibilidade do recém-nascido. 4 Envolto em faixas fui criado, e com grandes cuidados. 5 Nenhum rei teve outro gênero de nascimento. 6 Há para todos o mesmo modo de entrar na vida e de sair dela. 7 Por isso pedi a prudência, e ela me foi dada; invoquei (o Senhor) e veio a mira o espírito da sabedoria. Por isso, sabendo eu que, apesar de rei, era semelhante aos outros, pedi... 8 Preferia-a aos ceptros e aos tronos, e julguei que as riquezas nada valiam em sua comparação. A sabedoria, isto é, a virtude, o bem mais precioso do homem. 9 Nem pus em paralelo com ela as pedras mais preciosas, porque todo o ouro em sua comparação é um pouco de areia, e a prata será considerada como lodo à sua vista. 10 Eu amei-a mais do que a saúde e que a formosura, e antes a quis ter que a luz, porque a sua claridade é inextinguível. 11 Todos os bens me vieram juntamente com ela, e inumeráveis riquezas estão nas suas mãos. 12 Regozijei-me com todos (estes bens) porque os conduz a sabedoria: contudo eu ignorava Quando pedia a Deus a sabedoria, que ela é mãe não só dos bens espirituais, mas também dos temporais. A sua oração tinha, pois, sido feita sem egoísmo, sem intenções reservadas. que ela é a mãe de todos estes bens. 13 Eu a aprendi sem intenções reservadas, reparto-a com os outros sem inveja, e não escondo as suas riquezas. 14 Porque ela é um tesouro inesgotável para os homens; os que usam dela tornam-se participantes da amizade de Deus, recomendáveis (a ele) pelos dons da doutrina. Da doutrina que ensinaram. 15 Que Deus me conceda a graça de falar segundo desejo, e ter pensamentos dignos dos dons que recebi, porque ele é o guia da sabedoria e o director dos sábios. Sem o auxilio de Deus o homem nem sequer pode exprimir o seu conceito. 16 Estamos na mão dele, nós e as nossas palavras, e toda a vossa sabedoria e habilidade no agir. 17 Foi ele que me deu a verdadeira ciência das coisas que existem, para eu conhecer a constituição do universo, as propriedades dos elementos, 18 o princípio, o fim e o meio dos tempos, as mudanças dos solstícios e as vicissitudes das estações, O princípio... O modo de organizar o calendário por meio da astronomia, que era uma ciência muito importante na antiguidade. 19 os ciclos dos anos e a posição das estrelas, 20 a natureza dos animais e os instintos dos brutos, a força dos espíritos e os raciocínios dos homens, as variedades das plantas e as propriedades das raízes. 21 (Em suma) aprendi tudo o que há escondido ou descoberto, porque a sabedoria, que tudo criou, mo ensinou.Natureza e dotes da sabedoria.
22 Efectivamente há nela um espírito inteligente, santo, único, multipllce, subtil, ágil, penetrante, imaculado, claro, impassível, amigo do bem, agudo, a quem nada pode impedir, benéfico, 23 amigo dos homens, estável, seguro, tranquilo, que tudo pode, tudo vê, e que penetra todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais subtis. 24 A sabedoria é mais ágil que todo o movimento; tudo atravessa e penetra por causa da sua pureza. 25 Ela é um sopro do poder de Deus, uma pura emanação da glória do Omnipotente: por isso não se pode encontrar nela a menor Impureza. A sabedoria é descrita nestes versículos como procedendo de Deus e irradiando desta fonte infinita de luz. As expressões empregadas dão-nos a ideia da procedência duma pessoa divina, da fonte mesma da divindade. Por isso S. Paulo (Hb. 1, 3) definiu a pessoa do Verbo Divino quase com as mesmas expressões. 26 Ela é o resplendor da luz eterna, o espelho sem mácula da actividade de Deus, a imagem da sua bondade. 27 Sendo única, pode tudo; permanecendo a mesma, renova tudo; através das gerações, transfunde-se nas almas santas, e forma os amigos de Deus e os profetas. 28 Com efeito. Deus sòmente ama aquele que habita com a sabedoria. 29 Ela é mais formosa do que o sol, supera o conjunto dos astros. Comparada com a luz, ela vence, 30 porque à luz sucede a noite, mas a malícia nada pode contra a sabedoria.Citado em 47
- v. 7 Summa (EN)(I-II 113.3
II-II 123.2 II-II 180.3) - v. 8 Summa (EN)(II-II 188.5)
- v. 9 Summa (EN)(I-II 2.6)
- v. 11 Summa (EN)(I-II 4.8
I-II 5.4) - v. 13 Summa (EN)(III 42.3)
- v. 14 Diuturni Temporis(§5)Indulgentiarum Doctrina(§2)
- v. 16 CCC(¶2501)
- v. 17 CCC(¶216
¶283 Summa (EN)(I-II 112.5¶2501) II-II 167.1) Fides Et Ratio(§19) - v. 18 CCC(¶216
¶283 ¶2501) - v. 19 CCC(¶216
¶283) Fides Et Ratio(§19) - v. 20 CCC(¶216
¶283) Fides Et Ratio(§19) - v. 21 CCC(¶216
¶283) - v. 22 CCC(¶283)Summa (EN)(III 72.2)Veritatis Splendor(§43)
- v. 24 Summa (EN)(I 9.1)
- v. 25 CCC(¶2500)Summa (EN)(III 27.2
III 31.4 III 31.7) - v. 26 CCC(¶2500)
- v. 27 Summa (EN)(I-II 106.1
II-II 45.6 II-II 172.2 II-II 172.4) - v. 28 Summa (EN)(I-II 68.2
I-II 102.3 II-II 45.5 II-II 149.3) - v. 29 CCC(¶2500)
- v. 30 CCC(¶2500)