Fantasmas e os mortos

Os mortos podem voltar?

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Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.

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A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório sobretudo nos concílios de Florença Cf. Conc. de Florença, Decr. pro Graecis: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum). e de Trento Cf. Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de purgatorio: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum): Sess. 6ª. Decr. de iustificatione, canon 30: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum).. A Tradição da Igreja, referindo-se a certos textos da Escritura Por exemplo, 1 Cor 3, 15: 1 Pe 1, 7. fala dum fogo purificador:

«Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do julgamento, um fogo purificador, conforme afirma Aquele que é a verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir» São Gregório Magno, Dialogi 4, 41, 3: SC — Sources Chrétiennes (patristic critical-edition series) (4, 39: PL — Patrologia Latina (Migne))..

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Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos:

«Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício do seu pai Cf. Job 1, 5. por que duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? [...] Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações» São João Crisóstomo, In epistulam I ad Corinthios homilia 41, 5: PG — Patrologia Graeca (Migne)..

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Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum): Concílio de Florença, Decr. pro Graecis: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum): Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de purgatorio: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum)., quer para entrar imediatamente na felicidade do céu Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum); João XXII, Buda Ne super his: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum); Bento XII, Const. Benedictus Deus: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum); Concílio de Florença, Decr. pro Graecis: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum)., quer para se condenar imediatamente para sempre Cf. II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum); Bento XII, Const. Benedictus Deus: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum); Concílio de Florença, Decr. pro Graecis: DS — Denzinger–Schönmetzer (Enchiridion Symbolorum)..

«Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor» São João da Cruz, Avisos y sentencias. 57: Biblioteca Mística Carmelitana, N. 13 (Burgos 1931), p. 238. [S. João da Cruz, Ditos de luz, e amor. 57: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) P. 1015]..

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Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro Cf. Dr 18, 10; Jr 29, 8.. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos de vidência, o recurso aos "médiuns", tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele.